Terra
- Os tremores estão aumentando, Srta. Potts. Há uma
atividade incomum nas placas tectônicas. Há risco de terremotos até nas áreas
que nunca fizeram parte do cinturão de abalos sísmicos. Pode haver ocorrências
de erupções vulcânicas e tsunamis nas próximas horas. As sondas da Dra. Foster estão captando
graves alterações magnéticas em nosso sistema solar. Aparentemente, nossa
galáxia está entrando em colapso. Estamos assistindo aos primeiros sinais do
fim do mundo.
Pepper olhou para o céu e orou silenciosamente.
- Use toda a potência dos satélites. Continue enviando as
mensagens de emergência. Pode ser que Tony consiga captá-las.
O rapaz ia dizer alguma coisa, mas calou-se e continuou
fazendo seu trabalho.
A mulher continuou com o olhar fixo no céu nublado.
- Quero que monitore também as atividades da Shield. Se eles
se moverem, quero que dispare as mensagens que preparei para a imprensa e para
os contatos que assinalei. Se precisar de mim, estarei no playground do Tony...
Pepper fechou-se no último andar da torre Stark, o
quartel-general dos Vingadores. Ficou um tempo de pé, olhando para o nada. Depois,
lentamente, deixou-se cair no grande sofá que Tony amava. Ele comprou aquilo
num bazar porque achou que seria maravilhoso ter um bando de super heróis
sentados juntos discutindo como manter a paz por aí. O Gavião Arqueiro ironizava
dizendo que o QG parecia cenário de “Friends”. Tony passava muitas noites
deitado ali, inventando coisas, falando alto com Jarvis.
Pepper começou a rir lembrando-se da hiperatividade mental e
física de Stark. Não era aquele reator dentro do peito que lhe dava tanta
energia. O espírito dele mantinha o reator funcionando. O riso transformou-se
em choro. Ela simplesmente deixou fluir.
Jottunheim
- Ymir já começou a se levantar em Midgard. – Odin estava
com os olhos fechados.
- O que podemos fazer para detê-lo, pai?
- Precisamos do anel que está com Karnilla. No entanto, a
Norne está com Hela, na Terra dos Mortos.
- Terra dos Mortos? – O Arqueiro respirou fundo. Aquilo
piorava a cada minuto.
- O reino que pertence à filha de Loki.
- Thor, você tem a família mais desfuncional que eu já conheci!–
Stark abriu o visor do da armadura sentou-se num banco de pedra que ainda
continuava inteiro.
- Meu irmão não sabia da existência dela. Quando soube,
Karnilla havia usado sua magia para transformar Hela num monstro que pode
causar a morte com um simples toque. Loki conseguiu prendê-la em Niffelheim.
- Pensei que Loki fosse o nosso vilão. – O Arqueiro começou
a verificar suas armas.
- Loki é meu filho, mortal. – Odin fitou o Vingador com um
semblante severo. – Ele cometeu muitos erros... mas será a sua alma mais pura
que a dele?
Clint afastou-se lentamente.
- Fique de olho no papai Noel aí... acho que ele está
mudando de lado... – O Gavião sussurrou para Stark quando passou por ele.
Thor aproximou-se do pai.
- Se Hela não permitir que eles voltem... Pai, temos que ir
para Niffleheim.
- Odin, meu rei, eu ficarei feliz em ir ao mundo dos Mortos
e trocar minha alma pelo anel! Eu permiti que Karnilla o tomasse. – Sif
ajoelhou-se diante de Odin. Estava com seus trajes rasgados e sujos de sangue:
o seu próprio sangue e o dos gigantes que abateu.
Thor viu arrependimento sincero no rosto da amiga.
- Isso seria um sacrifício inútil. Esses abalos continuarão
e se tornarão piores. A única coisa que podemos fazer no momento é tentar
ajudar o povo de Jottunheim... Eles
estão sem líder. Há mulheres e crianças em perigo na cidade. – Odin estendeu a
mão à Sif para que ela se levantasse.
Stark dirigiu-se ao
local onde o sangue de Loki corria, azul, por sob uma placa de gelo. O Homem de
Ferro arrebentou a placa e tentou recolher uma amostra da substância, mas uma
força inexplicável o puxou para dentro do gelo derretido, como se tivesse vida
própria.
- Droga! O que é isso?
- Ymir não é só uma lenda. Não se trata apenas de elementos
químicos reagindo. É vida. E destruição também. – Disse Fandral.
- Tony... captamos algo, um sinal sutil... espere..... – a
voz da Viúva Negra soou pelo comunicador do Homem de Ferro - Pedidos de socorro, com o sinal de segurança da Stark.
- Eu preciso de você aqui, meu filho. – Odin parecia ter
envelhecido muito nas últimas horas. – Não tenho forças para fazer isso
sozinho.
O Capitão América se juntou ao grupo dentro do Templo.
- Precisamos voltar. Thor, você precisa cuidar do seu
povo. Não pode estar em dois lugares.
Fique aqui! Nós não podemos agir no seu mundo... e talvez ainda seja necessário
conter o Loki ...ou outras coisas piores que estão atrás do seu irmão.
- Vamos, pessoal! – O Arqueiro estava louco para por um fim
a sua aventura hiperespacial.
- Eu ficarei. – Dr. Banner deu de ombros – Eu não sou tão
querido na Terra... aqui eu me sinto quase normal. Um monstro verde passa meio
despercebido no meio de gigantes azuis. Eu ajudarei o Thor. E eu e Loki somos
velhos amigos... – ele sorriu - posso convencê-lo a não falhar conosco caso
seja necessário.
- Amigo Hulk, você sempre será bem-vindo no reino em que eu
estiver. – Thor sorriu para o Vingador.
- Bom, pessoal, eu me recuso a dizer adeus, vocês sabem...–
Stark fechou o visor e começou a dar instruções para Jarvis para rumarem para a
Terra.
Niffleheim
Jane tinha consciência de estar completamente imóvel,
flutuando em uma substância fluída como água, porém imaterial. Não havia som
algum, só o da sua respiração ofegante.
- Mantenha os olhos fechados, Jane! Não abra os olhos, não
abra!
Loki a mantinha muito junto ao seu corpo e Jane queria
obedecer o apelo que o feiticeiro lhe fazia, telepaticamente, porém, a sua
curiosidade de cientista obrigava-a a forçar as pálpebras e tentar ver o que os
cercava.
Jane conseguiu apenas entreabrir o olhar e a massa negra e
pulsante em que estavam mergulhados tocou seus olhos, tentou penetrar por eles,
Jane não conseguia mais fechá-los. Ela encolheu-se e gemeu baixo. A escuridão
não conseguia envolvê-la totalmente. O
bracelete que Loki lhe dera impedia que as trevas a tomassem. O feiticeiro colocou
sua mão sobre os olhos dela.
- Mortal estúpida, não me desobedeça! Você não entende este
mundo! Agora fique quieta e não diga nada diante de Hela!
A voz dele soou honestamente zangada, mas ela conseguiu
cerrar os olhos novamente. Ouviu Loki pronunciando algumas palavras e sentiu um
arrepio em seu corpo. Não era exatamente contra ela que o feiticeiro dirigia
sua cólera.
No momento seguinte, foram arremessados contra o chão frio
de pedra negra de um lugar que não parecia ter paredes ou teto. As pedras do
piso eram tão polidas quanto um espelho e atraiam qualquer luz para dentro
delas. Do interior dessas pedras surgiu uma chama avermelhada que deu um novo
colorido ao local. Estavam num enorme salão vazio e diante deles havia uma
escadaria que levava a um trono escavado no que devia ser a maior turmalina
negra existente, decorado por cristais brancos esculpidos, representando
batalhas e monstros.
Sobre o trono, uma mulher de grande beleza os fitava com
curiosidade. Seus cabelos louros eram do mesmo tom dos de Karnilla. Os lábios
bem desenhados e cheios também lembravam os da Norne. Mas aqueles grandes olhos
verdes e frios eram cópias dos olhos de Loki. Os olhos e o sorriso que se
espreguiçava pelo rosto, malicioso.
- Aqui está seu pagamento, Hela. Conforme prometi, trouxe o
seu pai. – Karnilla postou-se diante da escadaria, apontando para Jane e Loki
com grande expectativa no rosto. – E aqui está o anel! – Karnilla fez flutuar o
anel de Vili até a mão de Hela.
A Senhora dos Mortos sorriu e tamborilou suavemente com os
dedos longos e brancos, cobertos de anéis, nos braços do trono. Tirou alguns
deles, maravilhosas jóias, jogando-os de lado como se fossem lixo, e colocou a
grande pedra em seu dedo, admirando a nova aquisição.
-Ah! Veja o braço
dele.... os ferimentos que o vovô lhe causou...que pena. – Hela mostrou um
semblante afetadamente triste. Havia uma ferida aberta. Era pequena e não
parecia ser funda, mas continuava a sangrar. Um fio fino de sangue jottun que
escorria irritantemente pelo braço e pingava no chão, penetrando nas pedras que
adquiriam uma tonalidade azulada.
Hela fechou os olhos. Suspirou e tornou a abri-los.
– Laufey não tinha
mais nenhum sangue para ser revivido... então eu fiz uma poção. Uma poção feita
de ódio, rancor, vingança. Tudo o que você conhece tão bem, pai. E ele
conseguiu ferir você com tudo isso. E todo o seu sangue vai escorrer por aí. E
você morrerá. Será demorado e doloroso. Finalmente você viverá para sempre
aqui, querido pai. Ao lado da sua querida filha.
- Hela,...se ele morrer, o Universo se acaba. O poder de
Ymir é forte demais para ser controlado. Temos que mantê-lo vivo.
- Há espaço para mais mortos aqui. Gosto de companhia. –
Hela aconchegou-se em sua capa feita de peles finas.
- Não estarão mortos... cessarão de existir! Não haverá mais
Niffleheim, não existirá Asgaard... só haverá o Nada! – protestou Karnilla. -
Você disse que poderia deter tudo isso. Que deteria isso com o anel! Eu extraí a
magia de seu pai! Está no anel!
Hela olhou com desdém para a jóia.
- Está? Está pulsando tão fracamente.... Karnilla, você realmente
trouxe toda a magia do feiticeiro para mim? Ou guardou um pouco para você...
Mamãe ? – Hela sorriu e olhou para o pai, divertida. – Você não concorda
comigo, papai? O senhor a conhece melhor que eu.
- Ele já havia transferido a magia dele para outro lugar!
Não havia quase nada dentro dele... – explicou Karnilla, indignada e
ligeiramente amedrontada.
- Hmmm..... transferiu para outro lugar? É tão ruim lidar
com vocês feiticeiros porque eu não consigo ver tudo o que fazem. Para onde você enviou sua magia, pai?
Loki estava um tanto perdido, encarando a moça como se não a
entendesse. E assustou-se quando olhou para o lado e viu Jane Foster.
- Não devolverei o anel. Eu gosto dele! E quem é essa menina
com a qual meu pai parece estar tão preocupado? Vamos, minha criança, deixe eu
olhar para você, pequenina... – Hela falava com uma voz maternal.
Jane levantou-se.
Olhava diretamente para Hela, e com tal superioridade que a rainha dos mortos
sentiu-se incomodada .
- Que menina bonita. E tão cheia de atitude! Tão jovem.... é
assim que gosta delas, não é pai? Jovens e alegres. Não me admira ter rejeitado
minha mãe. Ela já está velha e desinteressante! – Aproxime-se, querida! Diga-me
seu nome.
- Você não tem poder sobre mim.
Hela perdeu o sorriso.
-Sua miserável vermezinha da Terra, sabe quem sou eu? Eu
vejo inocentes morrerem o tempo todo. Sabe quem tira suas vidas ? Eu!!!! Eu!!!!
Foi esse o poder que minha mãe me deu... claro que isso não seria possível sem
o nobre sangue encantado do meu pai.
- Hela, o que pretende? Vai matar todos nós! – Karnilla
aproximou-se mais de Loki e Jane.
- Deveria ter pensado nisso antes, mãe! Achou que eu faria
tudo ficar bem e depois lhe daria um lugar de rainha em algum novo reino
encantado? Eu quero que tudo se acabe! Eu não me importo!
Jane Foster adiantou-se, ficando diante de Loki e Karnilla.
Loki caiu, sentindo-se mal, talvez por causa do ferimento.
- Não pode culpar seus pais o tempo todo! Você é uma deusa! Ao menos, devia se portar
como uma! – Um sorriso sinistro derramou-se pela face de Jane Foster - Você não
passa de uma criatura fraca e pretensiosa! Não faz jus ao sangue que a gerou.
Hela abriu a boca de puro espanto.
- Como ousa! – A mulher levantou-se e uma espécie de foice
feita de prata materializou-se em sua mão. Em instantes estava diante de Jane,
tentando tocá-la com a sua arma. Jane continuou sorrindo daquele jeito
confiante enquanto a lâmina de prata
negava-se a atingir a mortal, dobrando-se e partindo-se. O bracelete a protegia do toque de Hela,
então Jane agarrou a mão da deusa e
arrancou-lhe o anel de Vili.
- Isso agora é meu! – Assim que Jane arremessou Hela sobre a
escadaria, o encanto acabou e Jane Foster caiu de joelhos, como se a sua alma
tivesse abandonado seu corpo.
Enquanto isso, Loki respirou fundo, como se tivesse recebido
novo ânimo, levantou-se e correu até Jane, tirando-lhe o anel e colocando em
seu próprio dedo. O feiticeiro trocara
seu corpo com o da mortal, para estar protegido e conseguir roubar a jóia. O
anel lhe deu novas forças e ele virou-se para a filha, que começava a se
refazer e a levantar-se.
- Agora vamos discutir o nosso retorno seguro! Hela, abra o
portal para sairmos! Você não quer desaparecer... Você é minha filha, precisa de súditos e adoradores, eu o sei bem.
- Viver? Acha que isso é vida? Condenada aos domínios dos
mortos!? Hela perdeu o controle sobre a sua forma e por instantes mostrou seu
verdadeiro rosto, metade belo, metade descarnado.
- Eu a tornei uma rainha! – Loki usou sua voz mais doce.
- E você não conseguiu nada para si, não é? Só os restos, o
que o poderoso Thor não quer mais ou o que ele não precisa... essa menina
também é uma migalha caída da mesa farta do filho de Odin! E ela será infeliz
porque você a destruirá. Você sempre destrói tudo o que pensa que ama. Isso
porque não há nada que você realmente ame, a não ser você mesmo.
- Abra o portal, Hela. – Loki continuava usando sua voz mais
doce.
A deusa começou a rir.
- Você precisa de mim, não é, pai? E sabe que eu não vou
ajudá-lo. Você não tem nada que eu possa querer... pode ficar com o anel. É um
presente meu para você! Você não pode fazer nada com ele aqui. Você precisa voltar para Jottunheim....
Quer mesmo voltar? Odin e Thor esperam por você. E vão prendê-lo novamente.
Desta vez para sempre. O grande Loki finalmente capturado. Preza sua liberdade
mais do que tudo, não é? Como será dormir o Sono Eterno, pai? Você tem muito
medo disso... Mas talvez você morra do
ferimento antes . E ainda verá essa donzela voltar para os braços de Thor! Por
que isso ainda pode acontecer!
- O que você quer? – Loki ignorou as palavras dela.
- Este é o problema. Eu não quero nada!Você não tem moeda de
troca, pai.
- Tem sim. – Jane tocou o braço de Loki e entregou-lhe a
pulseira. – O bracelete. Ofereça-o a ela.
Os olhos de Hela brilharam, mas ela apenas sorriu.
- Sim... é bom. Posso deixar Karnilla ir embora pelo
bracelete.
- Não. Eu troco a volta de Jane e do anel pelo bracelete.-
barganhou Loki.
- Por que devo facilitar as coisas prá você, pai!? – Hela sentou-se
diante dele. Então seu olhar moveu-se
lentamente de seu pai para Jane. Hela
ficou séria. Depois começou a rir.
- Jane Foster.... mortal.... um dos príncipes de Asgaard
está totalmente apaixonado por você! Isso eu posso lhe dizer! Mas qual deles? É
claro que devemos considerar que um deles é um falso príncipe... ou um príncipe
falso.
Loki podia ler os pensamentos de Jane e sabia que ela ia
fazer algo idiota como oferecer sua vida para que o anel fosse levado de volta.
Ele precisava evitar isso. Não era do seu interesse que Jane fosse refém de
Hela ou de Karnilla.
- Eu fico com você, filha. E você manda Jane de volta para
Jottunheim, junto a Thor, com o anel de Vili.
- Não! – Gritou Jane.
- E eu?? – Karnilla protestou.
- Você terá que negociar com sua filha, Karnilla. Não fui eu
quem a criou assim... se não quisesse usa-la como arma contra mim, ela seria
uma princesa em Asgaard. – Loki olhou para a filha ao dizer isso – A mais bela
de todas.
A Senhora dos Mortos estava atônita. Ele não estava
mentindo.
- Hela, não acredite nele! Ele vai enganá-la! – gritou
Karnilla.
- Eu quero ver até onde ele vai com isso... – Hela movimentou a mão graciosamente e uma
esfera de luz apareceu no salão, tornou-se maior, do tamanho de Jane. – Pode
ir, Jane Foster. Salve o Universo. Agora será mais fácil decidir a quem
entregar seu coração mortal... meu tio Thor estará esperando por você.
- Não vou sem o Loki.
- Pai, ela está apaixonada por você! Vê-se logo que ela não
o conhece! – Hela deu uma gargalhada.
- Entre no portal, Jane! Entre agora! – Loki estava usando
aquela voz mansa que convencia qualquer um a fazer o que ele ordenava.
- Não!
Qualquer um, menos Jane Foster.
- Acho que ela quer um beijo de despedida! – Hela olhava
para o pai, divertida.
Karnilla desesperou-se e correu para o portal. Assim que
tocou a sua luz, Karnilla gritou e caiu
no chão pesadamente.
- Eu não permito a sua saída, Karnilla. Esse portal é para
uma jovem donzela apaixonada... . – A deusa virou-se para Jane – Vá embora,
mulher de Midgard, antes que perca a paciência com você!
-Mortal, eles precisam do anel! Saia daqui! – Loki virou-se para Jane, com o fogo dos deuses do norte nos olhos –Eu
ordeno que parta agora! – Loki arremessou o bracelete para ela. A jóia
materializou-se em seu pulso e penetrou em sua pele, gravando-se nela como uma
tatuagem dourada. O poder de Loki enfeitiçou o bracelete e puxou-a para o
portal, arrastando-a para Jottunheim.
Antes do portal se fechar, Loki ouviu Jane gritando o seu nome.
Hela ainda ria de um modo irônico.
O riso se desfez em seu belo rosto ao contemplar a ira de
Loki voltando-se para ela.
- Você precisa aprender bons modos, filha.
Loki pronunciou palavras que Hela não conhecia e a Senhora
dos Mortos começou a tremer.
- Fui eu quem lhe deu vida. Eu posso tirá-la, se quiser. Ou
fazer coisa pior!
Loki estava diante dela em toda a sua glória, mesmo ferido.
Os olhos dele eram mais frios que o aço e penetravam em sua mente, queimando
como gelo.
- Vamos ver o quão poderosa você é, criança...
Hela começou a gritar quando o seu corpo sacudia
terrivelmente como se assomado pelos achaques da velhice. Seu corpo curvilíneo
murchou muito rapidamente e então ela viu suas mãos encherem-se de manchas e
rugas. A mulher arrastou-se e olhou-se no piso espelhado. Ela estava
terrivelmente velha.
- Não! Não! Não!
- Não vou matá-la. Mas vou deixá-la assim... durante um
tempo. – Loki caminhou calmamente até a escadaria ouvindo os gritos da filha.
Subiu os degraus e sentou-se em seu trono. – É bom poder descansar um pouco. Seu
trono é confortável, querida. Mais confortável quando se tem membros jovens
para sentir as peles finas e quando se pode apreciar a beleza de todas essas
jóias. Onde estão seus guardas e serviçais? Ah! Você os proibiu de entrar aqui
porque sabia que eu poderia manipular a mente deles. Sim. Mesmo fraco como eu
estou ainda consigo fazer muita coisa. Você nem faz idéia... – Loki sorriu –
Infelizmente não posso me curar desse ferimento que o vovozinho Laufey me
causou. Você sabe como curar o papai, meu amorzinho?
Hela ainda gritava, horrorizada.
- Hela, Hela, querida! Não! O papai não quer o seu mal! Mas
precisa aprender que não deve nunca tentar me trapacear ! Também não deve ficar
entre o papai e qualquer coisa que ele queira. Cure-me, querida, e prometo que
deixo você voltar ao normal. E, depois, se você abrir o portal e me enviar para
Jottunheim, papai promete deixá-la em paz e não voltar para torturá-la. Que
tal? De acordo, querida? – Os olhos dele eram ternos e alegres e o rosto de
Loki tinha um ar tão inocente quanto o de uma criança.
Hela balançou a cabeça, afirmativamente, enquanto lágrimas
de dor rolavam pelo seu rosto.
A esfera de luz reapareceu ao lado de Thor e Odin, que
levavam o povo de Jottunheim para um lugar seguro próximo a uma fortaleza feita
de pedra e gelo. Os abalos aumentavam.
- Jane! – Thor a abraçou
fortemente.
Sif estava perto e olhou com tristeza para o casal reunido.
Ela tentou empurrar para longe os pensamentos sombrios de ciúme.
A moça abraçou Thor, sentindo-se segura novamente. O abraço
dele era cheio daquela energia positiva e protetora. Jane o afastou
gentilmente.
- Loki mandou que eu entregasse isto para vocês!
- O anel de Vili! – Odin tomou a jóia nas mãos. – Onde está
Loki?
Jane conteve a custo as lágrimas.
- Seu filho fez um acordo com Hela.
- Que espécie de acordo? – Thor instintivamente pensou que
Loki havia empenhado a alma de Jane no acordo e fugido para algum lugar seguro,
ou tomado o poder em Niffelheim.
- Ele ficará com Hela. Foi o pagamento para ela permitir a
minha volta com o anel.
Odin sorriu, um tanto perplexo. Depois fechou os olhos, pesaroso.
Thor adquiriu um semblante constrangido.
- Loki sacrificando-se por alguém.... será possível? – Sif
aproximou-se. – Ele está desesperado para salvar-se do caos que está para
acontecer.
- Venham comigo.... thor, preciso que seu amigo Hulk abra
uma fenda no gelo para que eu possa usar o poder do anel! – disse Odin,
caminhando depressa.
Niffelheim
Loki estava deitado sobre um divã de tecido aveludado, com
pés de ouro enquanto serviçais esfregavam uma pasta escura no seu ferimento.
- Sinto-me bem melhor. – O feiticeiro respirava fundo.
- Você deveria aproveitar e prendê-lo, Hela. – murmurou
karnilla para a filha.
- Vá embora, mãe. Eu estou farta das suas intrigas! Estou
farta de vocês dois! Vá para algum lugar distante e reflita sobre sua vida! E
coloque na sua cabeça oca que Loki nunca a amou e nunca a amará! Ele não ama
ninguém!
Karnilla ensaiou um olhar de reprovação para a filha, mas
Hela convocou 3 lobos enormes para escoltar a mãe até a saída. Loki nem prestou
atenção em Karnilla, absorto em seus pensamentos. A Norne foi embora, tentando
dar dignidade à sua partida, sem muito sucesso.
Os serviçais deixaram o lugar. Hela olhou para a grande
parede de pedra polida e viu o rosto bonito refletido novamente. Ainda tremia
um pouco ao olhar para suas mãos. Tomou de uma taça e bebeu o hidromel ali
depositado.
- Acho que já estou bem para retornar. Como meu sangue parou
de correr, devo confiar que meu pai e Thor não terão trabalho em deter Ymir.
- Tome um pouco de hidromel, pai. Não está bem ainda... está
fraco.
- Desde quando se importa comigo?
Hela suspirou e riu cansada.
- Deixe-me fingir um pouco de amor filial, pelo menos.
Loki levantou-se e caminhou até ela. Olhou bem para o rosto
da filha. Há muito tempo não se aproximava tanto dela . Se Hela estendesse a
mão neste minuto e o tocasse, ele morreria. Estranhamente não estava com medo.
- Você é realmente muito poderosa, querida.
Hela franziu a testa e depois sorriu, simplesmente. O mesmo
sorriso do pai.
- Faz idéia do que é viver para sempre e não poder tocar
ninguém sem provocar sua morte? E os mortos são imateriais... Eu vivo cercada
por eles... cercada por sombras.
- A solidão faz coisas terríveis conosco, não é?
- Às vezes tenho medo de enlouquecer. Outras vezes... tenho
certeza de que já enlouqueci. O que é isso, pai? Por que me trouxe à vida?
Loki sorriu de um
modo franco para ela.
- O que seria da vida sem criaturas como nós? Nós somos os
que questionam. Os que provocam. Nós somos o antídoto da vida contra o veneno
do tédio, minha linda criança.
Hela bebeu hidromel e olhou novamente para suas mãos.
- Eu sou um monstro?
Ele lembrou-se de ter feito a mesma pergunta a Odin.
- Não. Você é uma deusa. – Ele a olhou com orgulho.
Hela respirou fundo.
- Abrirei o portal
para você... Mas não há nada para você do outro lado, pai. Acredite-me.
- Você não sabe o que eu quero, criança. – Loki voltou-se para a esfera brilhante que
Hela invocava.
- A mortal não terá uma vida longa. Está se consumindo como
uma estrela.
- E estando condenada a uma vida curta, ela se entrega
totalmente a ela. Isso me fascina.
- Quando chegar a hora de Jane Foster, quer que eu vá
buscá-la pessoalmente? – Hela sorriu.
- Quando chegar a hora dela eu estarei lá para tirá-la de
você.
A deusa sentiu ciúmes do pai.
- Ela já escolheu um príncipe de Asgaard. .. qual dos dois? –
Hela olhava para dentro da taça, como se tivesse uma visão. – Ah!... não é
surpresa prá mim!
Loki olhou para a filha,que permaneceu em silêncio, sem
revelar mais nada. Ela era muito parecida com ele.
- Adeus, querida.
- Eu talvez não te odeie tanto quanto pensava, meu senhor
Loki. Mas ainda o odeio bastante. Eu vou me esforçar para superar seus truques.
- Boa sorte com isso, minha linda criança.
Terra
- A falha de Santo André está se abrindo depressa, senhor!
- Não fique me passando só notícias ruins, Jarvis!
Positividade! Positividade! Eu quero gente de alto astral aqui!
- Stark, os tubos estão colocados!
- Pessoal, aqui é o Gavião... estamos saindo de São Paulo...
indo para o Sul do Brasil. Não sabemos se o Fury chegará a tempo! O tsunami
está vindo rápido.
- Eu vou tentar estabilizar as placas por aqui com essa nova
liga metálica.... misturar isso com a lava e criar uma estrutura sólida para
deter os terremotos aqui em San Francisco. Se isso funcionar podemos tentar
usar isso em outras partes do mundo....
- Mas isso é como tentar fazer reparos numa casa que está
caindo!
- Tony, não daremos conta disso! – Pepper estava em pânico.
– É muita gente precisando de ajuda!
- Vamos fazer o que pudermos, Pepper! Este aqui é o meu
mundo e eu não vou deixar ele explodir! Preciso de um lugar para minhas férias
!!
- Pare de fazer piadas! Isto é sério! É o caos! .... Droga,
Tony! Eu amo você!
Tony ficou em silêncio enquanto voava mais rápido, atingindo
pedaços da fenda, ativando a nova liga que havia inventado, tentando deter o
Big One.
Repentinamente, a movimentação foi parando. De todos os
lugares vinham notícias de a situação se estabilizara.
- O Thor conseguiu! – O Capitão América parecia eufórico.
- Isso ou esta aqui é a pausa antes do fim... o olho do
furacão. – A Viúva era mais pessimista.
- Eu prefiro apostar no loirão e na família problemática
dele. Acho que finalmente o Loki aceitou a terapia!- Stark suspirou.
O medo durou algumas horas, até Thor enviar um mensageiro,
Fandral, avisando que tudo estava bem.
Jottunheim
Quando o Hulk abriu a fenda no solo gelado, o sangue de ymir
subiu como se tivesse vida , numa onda enorme, gelatinosa. Thor atirou um de
seus raios no anel que seu pai atirou contra a substância. O anel partiu-se e o
encantamento de Vili misturou-se ao sangue de Ymir, que voltou a ser
translúcido. O encanto do anel limpou todo o sangue e aquietou o reino gelado.
Odin respirou aliviado e pousou a mão no ombro de Thor.
- Assim que tudo estiver resolvido, iremos buscar seu irmão.
Eu mesmo negociarei com Hela. Sem ele não teríamos salvo os 9 reinos. Como
você... Loki modificou-se, Thor.
Thor queria acreditar que o irmão voltara a ser o amigo que
tivera na infância. Então ele virou-se para Jane, que conduzia em segurança
algumas crianças, filhas dos gigantes. Aproximou-se dela, admirando o carinho
que ela demonstrava pelos Jottuns.
- Jane... tudo está bem agora. E papai e eu iremos resgatar
Loki. Nós o traremos em segurança.
Ela se abriu num sorriso de alívio.
- Eu sinto que ele está bem... – Jane não conseguia explicar
ao certo o que estava acontecendo, no entanto era tão claro para ela o fato de
que Loki estava a salvo, voltando para ela.
- Sim... também sinto isso. – E há muito tempo Thor não
sentia tal conexão com o irmão.
- O que farão com ele?
- Ele ajudou a salvar o dia hoje. Mas meu pai deve decidir.
– Ela viu o semblante de Jane ficar sombrio – Queria que ele fosse perdoado, se
estiver realmente arrependido.
- Não sei se ele se arrepende de algo, mas ele quer mudar.
Não me pergunte como eu sei disso eu... apenas sei!
Thor aproximou-se
mais, tentando mudar de assunto.
- As crianças gostaram de você.
- Esses são os bebês? São quase da minha altura. Não, aquele
ali é maior que eu!
- Não é estranho? Eu lutei contra eles e agora... viemos
aqui para salvá-los.
- Por isso a vida é algo tão maravilhoso, ela está sempre se
movimentando.- Jane aproximou-se de um grupo de meninas Jottun que brincavam - As crianças são tão gentis...
-E você é encantadora. Você nos ajudou tanto.
- Eu gosto de ser útil. Mas assim que puder eu preciso
voltar à Terra... eu... preciso continuar minhas pesquisas!
-Jane, sabe o que eu sinto por você. Venha para Asgaard!
Você pode continuar seus estudos e pesquisas no meu palácio e nós podemos...
- Thor...
- Pedirei permissão a Selvig para cortejar você!
- Que?- Jane não entendeu.
- Seu pai já faleceu e acho que Selvig é como um mentor para você, então, como manda
a tradição, vou pedir a ele que me abençoe, para que eu possa lhe fazer a
corte!
Jane riu, sem graça. Sentia-se uma donzela medieval. Depois
ficou séria ao ver o rosto severo de Thor.
- Desculpe, eu não estou rindo de você... é que isso não
dará certo! Eu sou... eu sou “mortal”
como vocês dizem. Minha vida passará muito rápido, Thor.
- Não! Eu pedirei a meu pai que lhe dê a vida de uma
asgaardiana! Você não morrerá, Jane! Imagine que poderá ter todo o tempo para
estudar suas estrelas, todas! As da Terra, as de Asgaard...as dos 9 reinos!
Jane piscou, aquela proposta era assustadoramente tentadora,
porém, Jane não achava que estava preparada para se transformar num ser
todo-poderoso.
- Não funciona assim! Thor.... eu não fui feita prá isso,
entende? Não poderia viver em Asgaard! Meu lugar é na Terra...
- Não é isso. – Thor olhou para ela como se lesse as
respostas em seus olhos. Ele passou de triste a zangado. – Você não me quer por
causa dele, não é? Jane, não entende que o que sente por ele é uma ilusão? Ele
manipulou sua mente para achar que o amava ! Loki só fez isso para me atingir!
Ele a encantou! Mas vamos quebrar o feitiço quando ele voltar!
- Eu não estou enfeitiçada, Thor! – Jane sentiu-se indignada
com a acusação. Era como se alguém a acusasse de ter caído num velho truque.
- Então o que é?
- Eu não posso escolher um de vocês porque eu não faço parte
do seu mundo! Eu tenho que voltar para a Terra!
- Então é para lá que eu irei.
- Você será rei deste mundo aqui! Você apenas ajuda o
nosso... a Terra não é seu lugar!
- E se eu fosse um ser humano comum? – Ele parecia
desesperado.
Jane hesitou. Gostava de Thor, mas havia algo em seu
coração, como uma sombra, dizendo que ele não poderia preencher a solidão que
existia ali. De repente, Jane viu-se em Asgaard, coroada rainha, vestida de
brilhantes, uma deusa da luz sentada no trono do Reino Dourado ao lado de
Thor... e no momento seguinte, andando sozinha pelos imensos salões, sem encontrar
companhia entre pessoas que nasceram para ser deuses. Ela descia até uma grande
masmorra e contemplava num sepulcro dourado um belo homem de negro deitado em
seu Sono Eterno e chorava por ele.
- Eu amo Loki. – Jane piscou, espantada com a própria voz.
Como poderia amar alguém culpado de matar centenas de pessoas ? E no entanto, o
sentimento brotava de seu coração livremente e era impossível explicar ou
tentar controlá-lo - Prometa não dizer isso a ele. Ele também não pertence ao
meu mundo ou a mim.
Thor balançou a cabeça. Sempre fazia o que ela mandava.
Neste caso, o faria com certo gosto.
- Posso, pelo menos, lhe dar um beijo de despedida? Eu vou
descer ao mundo dos mortos buscar o seu amado.
Acho que mereço um último beijo....
Ela sorriu entre lágrimas e abraçou-o. Por que as coisas
precisavam ser tão difíceis quando a matéria era amor? Seria tão fácil amar o
outro Odinson.
Thor a enlaçou com carinho e a beijou nos lábios, docemente.
Sif afastou-se. Não havia entendido muito bem o que os dois
haviam se falado, mas certamente haviam chegado a um acordo. Jane o
conquistara. A deusa ainda encontrou Hogun, Volstag e Hulk, que vinham para se
juntar a Thor.
- Oi, Sif, o que.... – Volstag tentou falar com a deusa, mas
ela não parou.
- Oh... O coração de Sif foi quebrado. – Hogun observou Thor
e Jane se beijando.
- Tanta coisa prá fazer e Thor namorando.... – resmungou o
Hulk.
Neste instante, a esfera de Hela abriu-se e Loki apareceu,
com aparência cansada, com os ferimentos já tratados e muito ódio nos olhos
vermelho-dourados.
- Ah...que grande recepção! – Ele lançou o pouco de magia
que restava na direção do irmão, atacando-o de pronto. Não conseguia pensar em
nada, nem queria saber o que estava acontecendo, só conseguia pensar que Thor
se aproveitara de sua ausência para reconquistar Jane.
O deus do trovão defendeu-se e contra atacou. Jane foi
afastada pelo golpe de Loki, mas o bracelete a protegeu. Os amigos de Thor
caíram sobre o feiticeiro mas ele estava tão cheio de ira que os lançou longe.
Então veio o Hulk e o acertou com golpes que o levaram a inconsciência, apesar
dos protestos de Jane.
- Vê?- Thor voltou-se para Jane - Ele é perigoso! Provavelmente se refez no
reino da filha e voltou prá me atacar!
- É verdade, Thor! Loki tem de ser submetido ao Sono Eterno!
- afirmou Hogun.
- Não! Ele viu que estávamos nos beijando, mas não sabia que
era um adeus!!! – Jane tentava projetar sua voz acima do barulho dos homens.
Sif havia retornado quando a confusão começou e ouviu Jane.
Não adiantaram os protestos da mortal. Aparentemente todos
queriam uma desculpa para prender Loki .
Continua.... Ana
Laufeyson
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