...Era uma vez...

Loki, deus do fogo, rei da mentira, mestre da ilusão, benção e maldição dos deuses do panteão nórdico, que podia ajudar ou desgraçar a vida de mortais e imortais por mero capricho.
Um belo dia, o santo Stan Lee transformou as lendas e mitos escandinavos em uma fantástica história em quadrinhos e esses personagens incríveis foram parar nas telas com "Thor".
Porém, Loki, nós sabemos, não é só um personagem... Loki resolveu invadir a Terra e conquistá-la só com o charme. Gostou tanto do desafio que acabou ficando por aqui, aprontando das suas... se fazendo passar por um ator Shakespeareano talentoso e lindo que atende pelo nome de Tom Hiddleston. Este blog reúne algumas lendas e fanfiction relativa ao personagem. Estes personagens não me pertencem e não pretendo ganhar dinheiro com essas histórias. Tudo isso é só diversão. Os personagens pertencem à Marvel, do meu queridão Stan Lee. E Tom Hiddleston pertence a ele mesmo... porque he does what he wants.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Laguz 11 - Indicação 14 anos

A quem interessar possa, emprestei os personagens do Stan Lee. Devolvo quando acabar de usar. Loki rules.



Enquanto isso, na Terra...

 

A imagem de Nick Fury apareceu na tela em frente à Pepper, presidente da Stark Internacional.

- Há algumas horas começamos a ter essas leituras de abalos sísmicos em formação. Ainda muito leves, mas contínuos.

- Sim, Nick, nós fizemos um mapeamento.  – a mulher suspirou - É a área de pesquisas da Dra. Foster no Novo México.

- Precisamos saber o que está acontecendo. Essas brincadeiras dos irmãos heavy metal estão começando a me aborrecer! Estamos em alerta máximo. Veja se consegue contactar o Stark. – Fury baixou os olhos como se escolhesse as palavras. Levantou-os com uma grave resolução no semblante – Pepper, nós temos como fechar aquele portal. Vai levar metade do Novo México para o outro mundo, mas meus superiores recomendam que se os Vingadores não derem qualquer sinal nas próximas duas horas, que iniciemos os procedimentos de emergência.

Pepper estreitou os olhos e tentou sorrir polidamente, mas não conseguiu e encarou Fury seriamente.

- Procedimentos de emergência?.... Sr. Fury, por favor, diga aos seus superiores, sejam eles quem forem, que os Vingadores têm solucionado a maioria dos problemas deste e de outros mundos com total eficiência. Jogar bombas por aí e arrasar cidades inteiras pode ser divertido para sua gente, mas eu juro por Deus que usarei toda a influência da Stark Internacional junto às autoridades, junto às redes sociais e mídia, junto à opinião pública, para dificultar toda e qualquer ação de seus homens e, se for preciso, eu mesmo visto uma armadura do Tony e vou até aí ensinar uma lição aos seus “superiores” !

Fury ficou muito sério e em silêncio durante alguns minutos.

- Bom... eu disse mais ou menos a mesma coisa para meus superiores, mas com mais palavrões...

 

 

Jottunheim

 

A flecha do Gavião Arqueiro encravou-se no braço de Laufey e desequilibrou-o. Thor atirou o martelo no gigante, derrubando-o.

Ficou claro para os sacerdotes que aquele não era um bom dia para cerimoniais envolvendo asgaardianos e mortais. Nem Karnilla, nem o falecido rei iriam salvá-los da fúria dos filhos de Odin, então, correram para as saídas.

- Os covardes estão fugindo. Achei que nos dariam mais trabalho. – Thor apanhou o Mjolnir em pleno ar.

- Nesta terra gelada, meu irmão, só uns poucos são leões.... a maioria não passa de cães.

Thor olhou para o irmão e sorriu. Gostava de ouvi-lo falar aquelas coisas. Gostava das frases de efeito de Loki. Era essa a hora em que geralmente o abraçava. O fim da batalha, a hora em que começavam a contar suas cicatrizes e a mentir sobre o número de inimigos abatidos.

 

Esqueceram-se de que um inimigo ferido e acuado ataca com o dobro de ferocidade.

 

- E você, Loki? É um leão ou um cão? Talvez só um rato! – Laufey  lançou-se por sobre  Thor, deslizando numa onda de gelo, agarrando Loki pelo pescoço. O feiticeiro segurava a outra mão do gigante, impedindo-o de criar uma lâmina de gelo. – Aceite o seu destino!

O gigante recebia os golpes de Thor e as flechas explosivas de Clint e não parecia se importar com isso. Loki modificou-se, perdeu a magia que lhe dava a forma asgaardiana. Os traços continuavam os mesmos, mas sua pele adquiriu a tonalidade azul luminosa e seus olhos tinham a chama vermelho-dourada, a mesma cor dos olhos de seu pai.

- Meu ódio me dará forças para fazê-lo cumprir seu destino! Você nasceu fraco e deformado! Deveria ter sido morto e eu farei com que seu sangue de traidor sirva para algo útil.

- Uma coisa que não herdei de você, pai: senso de oportunidade! – Loki desapareceu diante do nariz de Laufey. É claro que aquilo fora uma maravilhosa ilusão, mas o gigante o soltou, acreditando que não o tinha mais em seu poder e Loki aproveitou para moldar uma lâmina de gelo ao redor da sua mão direita, atingindo Laufey desde a altura do estômago até o coração.

- Não vou pedir que me perdoe. Eu o matei com vontade... pela segunda vez.

Laufey olhou para o próprio sangue e subitamente petrificou-se, transformou-se em cinzas e foi dispersado pelos ventos. O encantamento de Karnilla chegara ao fim.

Loki tocou em seu próprio sangue azulado, ainda gotejando no chão e virou-se para trás, observando Thor e Jane olhando para ele. Sentiu vergonha por estar exposto a eles naquela forma inferior.

Um grande abalo provocou a queda de uma parte do templo.

- Ymir está voltando! – gritou um sacerdote, antes de ser arremessado para fora pelo Hulk.

- Caras, vocês não sabem o que eu passei lá fora! Posso empalhar a cabeça daquele bicho prá colocar na minha casa? Olha eu nem sou de caçar animais, nem nada.... mas se eu não fizer isso ninguém vai acreditar em mim! Ou então.... alguém tem uma camerazinha aí? A minha eu esqueci no carro... – Tony flutuava para dentro do Templo e quase foi atingido por um grande pedaço de cristal que desabava do teto.

- O processo continua!Olhem para a rede formada pelo sangue de Loki....precisamos deter isso. Loki, você sabe o que está acontecendo? – Thor olhou para o irmão e assustou-se. O irmão estava visivelmente esgotado.

Loki mantinha a cabeça abaixada, tentando refazer o encantamento que lhe dava a forma asgaardiana, mas não conseguia porque estava fraco demais. Sentia o frio penetrando em seu corpo até o coração. Sua magia se esvaíra durante a luta, sentia-se oco. Perdeu o controle sobre suas emoções e sentiu imensa vontade de chorar. Respirava profundamente.

Jane correu para ele  e Thor voltou a sentir o doloroso aguilhão do ciúme.

- Loki, olha prá mim! – Jane pegou o rosto dele entre as mãos.

Ele abriu a boca para mandá-la se afastar, mas precisava dela muito perto.

-Você está sem sua mágica...

- Seu irmão está meio azul ou é defeito das minhas lentes? – Stark flutuou para perto de Thor.

- Ele só está sendo ele mesmo.... – Thor ironizou.

Jane voltou-se com um olhar magoado para o deus do trovão, que se calou, ressentido. Com o fim da batalha, o Hulk voltou a ser o Dr. Banner.

- O chão... isto que está acontecendo.... eu já li a respeito. Isto é Ymir. É a magia original. Meu sangue tem elementos dos dois mundos principais, então.... ele está juntando novamente o que foi dividido...

- Isto deveria ser uma boa notícia. – o Gavião Arqueiro não se sentia confortável no meio de tantos acontecimentos sobrenaturais.

- Não é. Para que os diversos mundos existissem foi preciso dividir os elementos. Se eles se juntarem novamente, só existirá um mundo, um universo... uma dimensão. Tudo vai começar a se fundir e no processo, tudo o que conhecemos se transformará violentamente.

- Mas você não foi morto! – Thor olhou ao seu redor, preocupado.

- Ainda não!! – Karnilla surgiu logo atrás de Loki e o envolveu com uma longa capa negra. Ambos sumiram levando Jane, que agarrou a mão de Loki no último momento.

 

- Não! – Thor atirou o martelo na feiticeira, mas ele atravessou-a a medida que a mulher transformou-se em sombra.

- Droga! – Tony voltou-se para Thor – Bom, faz alguma coisa aí, Thor! Vamos segui-los!

- Karnilla é uma feiticeira! Ela sabe como viajar pelos portais dimensionais. Eu sou só uma guerreiro. Jane está lá com ela! Precisamos salvá-la! E trazer Loki de volta! Karnilla certamente vai matá-lo.

- Thor! – Odin chegou ao templo e viu o sangue de Loki correndo e se transformando e o semblante desesperado do primogênito. – Eu sei para onde foram... mas receio que não possamos segui-los.

- Pai, onde quer que estejam eu preciso salvá-los!

-  Meu filho, Loki acabou de pisar nos domínios de Hela. Não há esperança para ele. Nem para nós....

 

 

 

Continua                                                             Ana Laufeyson

 

 

 

domingo, 26 de agosto de 2012

Laguz 10 - Indicação: 14 anos

Estes personagens são todos do Sta Lee, mas eu os empresto e devolvo quando puder.



Quando os gigantes se lançaram sobre Thor, Thony Stark atirou rajadas de pura energia logo atrás dos monstros, fazendo com que vários afundassem no solo. Jarvis contribuía com uma sondagem do terreno, enviando gráficos sobre espessura, movimentação e densidade para o visor do Homem de Ferro.

O Hulk saltou sobre animais enormes parecidos com lobos, que eram trazidos pelos gigantes, presos a coleiras feitas de algum metal nativo. O Vingador desferia violentos socos, arremessando-os para longe.

Clint Barton utilizou a nova mochila voadora que Stark inventara para conseguir acompanhar seus colegas e livrou-se dela assim que foi possível. O Gavião Arqueiro não tinha grande amor pela tecnologia. A sua opção pelo arco e flecha já dizia muito a respeito de como ele gostava de fazer as coisas: “como nos velhos e bons tempos”, dizia ele. É claro que não se importava de adicionar alguns dispositivos high tech às suas flechas, como os explosivos inteligentes e nanodispositivos que faziam com que as suas setas atingissem o alvo com inacreditável exatidão.

Finalmente venceram a barreira dos gigantes e partiram a toda velocidade para o templo, pois Jane sentia que o fim de Loki estava cada vez mais próximo.

Thor olhou na direção do pai e dos seus amigos quando ergueu-se no céu, puxado pelo Mjolnir, abraçado à Jane.  Mais habitantes do gelo e bestas sobrenaturais apareciam, vindas do mar de gelo, às margens da cidade, investindo contra os guerreiros liderados por Odin. O poder do Senhor de Asgaard ainda era supremo ali e o exército de gelo perdia cada vez mais soldados enquanto o brilho das armas de Odin aumentava e se espalhava, refletindo-se em cada superfície cristalina.

 

- Seu traidor miserável... veremos logo de que matéria é feito o seu coração! – Laufey esticou o braço pálido e uma longa lâmina de gelo formou-se ao redor dele.

Karnilla tentou extrair mais da essência mágica de Loki, que contorceu-se em agonia. O feiticeiro ouvia o ruído das batalhas travadas fora do templo e tentava manter o máximo da energia que lhe restava, mas a bruxa sabia o que ele estava tentando fazer e forçou o poder do anel para arrancar-lhe as últimas energias.

Loki viu Laufey erguendo a espada feita de gelo para cortar-lhe a cabeça. O feiticeiro não conseguiu se lembrar de alguma outra ocasião em que estivera tão só, com tão pouca chance de escapar. E a morte, para ele, seria só o começo de novas aflições.

 Uma explosão fez a porta principal do templo atravessar o salão a toda velocidade. Depois disso, a coluna onde Loki estava preso foi feita em pedaços, libertando-o das algemas de gelo.  Laufey não perdeu o filho de vista e deixou cair a mão pesada, revestida de gelo, sobre Loki. A lâmina feriu-lhe o braço, que ele tratou de proteger, arrastando-se para longe do gigante. Karnilla o puxou de volta, utilizando magia. Infelizmente, certos encantamentos exigem total atenção do feiticeiro que os invoca e Karnilla ficou tão concentrada em não deixar Loki fugir que não conseguiu desviar-se do Mjolnir, que a acertou bem na cabeça.

Os sacerdotes do templo eram iniciados na magia e faziam crescer do chão espessos muros de gelo que rebatiam as rajadas de força do Homem de Ferro. Porém, não eram tão fortes para deter o Hulk.

Thor mergulhou entre os sacerdotes, abrindo caminho com seu martelo, tendo Jane atrás de si e o Gavião Arqueiro .

Loki desviava o melhor que podia dos golpes de Laufey, mas a espada de seu pai o cortou inúmeras vezes. Cada gota de sangue que caía sobre o gelo penetrava na superfície vítrea e se espalhava, formando uma teia de fios vermelhos que começava a derreter o gelo.

Jane olhou para o chão e gritou para Thor.

- O sangue do Loki está fazendo o gelo derreter!

Os sacerdotes impediam que os Vingadores chegassem a Loki e seu pai. Finalmente Hulk conseguiu saltar para perto de Laufey e esmagou sua arma de gelo, batendo o braço do rei revivido contra uma parede.  Thor colocou-se ao lado de Loki, protegendo-o dos sacerdotes que ainda restavam. Karnilla estava desmaiada no chão e parecia não oferecer perigo.

Jane sentiu-se aliviada ao verificar que Loki estava bem, apesar dos ferimentos. O feiticeiro abriu bem os olhos para certificar-se de que não estava delirando e segurou o rosto de Jane com as mãos.

- Você fica linda me salvando, Jane.

Laufey arremessou o Hulk para fora do templo, tamanha era sua fúria e correu para onde estava o filho. O Arqueiro puxou Loki para que ficasse de pé e o arrastou para fora do templo, enquanto ele gritava para que Jane ficasse junto dele. De alguma forma o asgaardiano parecia ter ganho novo ânimo com a chegada da mulher mortal: agarrou a mão da jovem e não mais a soltou, até conseguirem abrigar-se numa área já segura do lugar, onde Thony havia derrotado os gigantes.

Thor juntou-se a eles, resistindo aos ataques de Laufey, que atirava praticamente cada peça de escombro sobre eles.

- Verei o que posso fazer de outro ângulo... – O Arqueiro correu por sobre as ruínas do salão, buscando um lugar mais alto para lançar suas flechas sobre Laufey.

- Thor! Cadê o Hulk? Eu estou com um probleminha aqui! – Era a voz amplificada de Thony. Eles ouviram um rugido horrível vindo de fora. Certamente Stark tinha encontrado o resto das criaturas de Karnilla.

Jane viu o semblante preocupado de Thor. O deus do trovão não podia abandonar o irmão para ajudar Stark e o Gavião Arqueiro não teria força suficiente para enfrentar o que quer que estivesse se aproximando.  Laufey deu uma gargalhada medonha e esticou o braço na direção dos filhos de Odin e da mortal, produzindo mais uma lâmina que quase atingiu Thor.

- Nunca pensei que diria isso um dia, mas eu seria bem mais útil aqui se tivesse uma arma... – murmurou Jane, abaixando-se atrás de uma coluna destroçada.

- Eu tenho algo....- Loki fez um movimento gracioso com as mãos , como se girasse uma bola invisível e uma esfera opaca surgiu em pleno ar. Loki abriu-a com outro movimento e enfiou sua mão dentro dela, retirando uma jóia muito delicada. Ele se desfez da esfera e tomou a mão de Jane, prendendo a jóia em seu pulso. Era uma espécie de bracelete muito fino, dourado. – O bracelete de Balder... lembra-se, Thor? – a voz dele estava animada novamente.

- Mamãe lhe deu, para que se protegesse nas batalhas. Para que Hela não pudesse tocá-lo. – Era quase como ser adolescente novamente, ao lado do irmão que acreditava ser seu amigo. Mas tudo era diferente agora. Thor aparou mais um ataque de Laufey e olhou de relance para Loki e Jane.

- É feito com um fio de cabelo de Balder. Ele jamais se feria em batalhas porque as coisas do mundo negavam-se a feri-lo, por ele ter uma alma pura. Nem mesmo Hela, a ceifadora de vida podia tocá-lo. Enquanto estiver utilizando isso.... vai estar protegida.

Jane olhou para o bracelete e para Loki. Thor viu o deslumbramento nos olhos dela, não pela jóia, mas pelo aparente desprendimento dele e sentiu o ciúmes apertar-lhe a garganta lentamente como uma serpente.

Vários cristais de rocha ponteagudos caíram do teto e Jane tentou se proteger, mas percebeu que os cristais estavam visivelmente preocupados em saltar para longe dela, como se tivessem vida própria. Jane posicionou-se entre Loki e Thor, tentando protegê-los com o poder da jóia.

Loki segurou o braço da moça e aparentemente começou a refazer-se mais depressa.

 

Ninguém notou, mas o corpo de Karnilla desapareceu no meio da confusão.

 

Continua...                                                by Ana Laufeyson

 

 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Laguz - parte 9 - Indicação: 14 anos

Ah! Loki e Thor pertencem ao mundo nórdico e tudo o mais pertence ao Stan Lee. E eu faço o que quero com eles!



Loki acordou por causa da dor nos olhos. Precisava abri-los porque eles queriam saltar das órbitas. Ardiam como fogo, embora ele sentisse o ar gelado tocando-os através das pálpebras. Abriu-os aos poucos e assustou-se porque a princípio só havia escuridão. Teve medo que Karnilla o tivesse cegado enquanto estivera inconsciente.

 Lentamente acostumou-se ao ambiente e compreendeu que estava na penumbra e conseguia divisar formas. Os ruídos confusos que chegavam aos seus ouvidos foram se transformando em uma cantoria monótona.

A medida que subia o volume das vozes, a  luminiscência azulada do lugar aumentava e  revelava o teto lapidado como um diamante.

Sentia outros pontos do corpo doloridos: pernas, costas, e sobretudo o peito. Quando sua cabeça parou de latejar e a dor nos olhos diminuiu, permitindo que raciocinasse, lembrou-se dos livros que estudara e de alguns duelos que já havia tido com bruxos e monstros: sua magia havia sido drenada. Quem havia feito aquilo era bem ruim ou tinha muito ódio dele porque arrancou a força mágica de um modo apressado e brutal, para que ele sofresse. Sim, agora se lembrava: havia desmaiado no processo.  Provavelmente Karnilla tentara extrair seu poder.

A notícia boa: Karnilla não dominava o ofício e não conseguiu tirar-lhe muita coisa. Ainda mais que ele já havia deliberadamente transferido muito da sua essência para outro lugar, por precaução. Não sobrou muito para a Norne. No momento, porém, sua magia estava bloqueada de alguma forma.

Sentiu seu corpo ser colocado de pé, contra uma coluna gelada, tendo os braços puxados para trás. Imediatamente sentiu o gelo correndo pelas suas mãos e antebraços, prendendo-os à coluna. Seus pés também cobriram-se de gelo, que subia em camadas, como se estivesse vivo, chegando aos joelhos. Esta prisão provocaria ferimentos mortais em qualquer asgaardiano, mas Loki apenas gemeu de raiva, por estar impossibilitado de se mover. Estranho, porque se estivesse em seu estado normal, ele facilmente se soltaria.

 - O grande Mestre da Magia.... você decaiu, meu caro. Está quase vazio, como um odre velho. – Karnilla acariciou o rosto de Loki, que permaneceu imóvel, olhando diretamente para a mulher com seus olhos azuis imensos e frios. – O que fez, Loki? Prá onde mandou sua magia?

O sorriso mau esticou-se de um lado a outro da face de Loki feito um gato espreguiçando-se. Ele abriu a boca para falar algo, pareceu pensar algo e mordeu os lábios, provocante e divertido e ficou em silêncio, apenas rindo. Karnilla perdeu o semblante amável.

- Você contava com o meu poder para o seu grande ritual, não é? Que pena. – Ele continuou a encará-la com a expressão de um garotinho travesso.

Os sacerdotes do templo, menores que os guerreiros, continuavam cantando mantras em sua língua sibilante.Karnilla fez um gesto indicando seus ajudantes. - Consegue entendê-los? Eles estão preparando o ambiente para o sacrifício.

- Da última vez foram brutalmente interrompidos por Odin...  Por acaso você tem alguma notícia recente da minha família adotiva, Karnilla? – perguntou Loki com um sorriso.

- Sim, Odin e Thor estão na Terra do Gelo, mas eles nada poderão fazer contra minhas defesas. Quando conseguirem passar por eles, você já terá cumprido seu destino. – Os olhos dela brilhavam, um tanto doentiamente.

- E qual seria esse meu glorioso destino?

- Reconhece este anel?

Loki olhou displicentemente.

- Você se tornou uma ladra? Este anel pertence a Odin.

- Você sabe... as lendas contam que o gigante Ymir criou os 9 mundos e deu origem aos gigantes de gelo. Você devia saber disso porque é a história da sua família.

- Se quer me matar de tédio, está quase conseguindo. – Loki suspirou, aborrecido.

- O gigante atacado por Odin e seus irmãos... o sangue de Ymir formou os oceanos e toda a água dos vários reinos... os ossos, formaram a Terra....  Ymir está adormecido em cada um desses elementos e pode ser despertado se ocorrer um grande evento. Loki, você é um mestiço gigante e asgardiano. Desde o princípio dos tempos isso não acontecia. Se você morresse no templo, se não tivesse sido salvo por Odin, o seu sangue nobre teria se derramado na terra de gelo e feito acordar Ymir.

- Isso tudo é lenda. Ymir nunca existiu.

- Você é um mestre em magia e não sabe que toda lenda é baseada na Verdade? Se eu conseguir realizar um grande evento como o sacrifício de um mestiço, filho do rei dos gigantes e de uma feiticeira asgaardiana... alguma coisa deve acontecer quando seu sangue correr pelo solo da terra de gelo, não é? E esta jóia, feita para Vili, irmão de Odin, me ajudará a controlar as grandes mudanças que ocorrerão.- Com o anel eu drenarei toda a sua força e me tornarei a feiticeira mais poderosa dos 9 reinos. – ela estendeu a mão para Loki, para que ele visse a jóia.

- Duvido muito! Tudo o que sabe fazer é executar truques de mágico de aldeia. Justamente por isso a rejeitei como aprendiz. Você é inferior, Karnilla. Não possui  nem imaginação, nem sagacidade  suficiente para lidar com magia...

- Houve uma época que você pensava diferente... – a mulher  sorriu.

- Sim, e me decepcionei muito. Você não estava a minha altura como aluna. E como amante, deixou muito a desejar...

Karnilla bateu no rosto de seu ex-mentor.

- Você será recebido com grande pompa no Inferno, Loki.

- Você vai primeiro, querida.  – o feiticeiro sorriu.

- A profecia dizia que você deveria morrer pela mão do seu pai. Odin interrompeu isso.

- E eu, infelizmente, por ironia do Destino, acabei matando papai... enquanto ele achava que eu o ajudaria com o plano de matar Odin.  Creio que a profecia não funciona se Odin me matar porque, tecnicamente, ele não é meu pai de fato.

- Não. Tem que ser o Laufey.

- Creio que Laufey esteja muito ocupado, morto, para vir aqui cumprir qualquer compromisso adiado.

O ar tornou-se ainda mais frio e uma forma azulada, lenta e terrível entrou no salão. Poucas coisas no Universo fariam Loki calar-se. Aquela era uma delas.

- Pena que você não tinha força o bastante. O poder que tirei de você me permitiu materializá-lo. – Explicou Karnilla - Ele não poderá ficar muito tempo. Mas será tempo o suficiente para matá-lo... meu querido.

- Loki.... – a voz do rei morto ressoava dentro da cabeça do feiticeiro.

- Isto é impossível. – Loki tentou soltar-se.

- Ódio e rancor tornam as coisas possíveis. Você me ensinou isso. – O rosto de Laufey brilhava na escuridão.



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Sif havia ouvido sons há pouca distância da gruta e resolveu investigar. Jane não a seguiu. Sem que a deusa se desse conta, Jane retrocedeu para o fundo da caverna e descobriu uma outra passagem para fora.

-Eu vou me arrepender disso. – a moça correu para fora. A roupa asgaardiana a protegia do frio enquanto ela corria pela neve, afundando e escorregando a cada metro conquistado, seguindo uma direção bem definida traçada em sua mente.  – Aquele desgraçado me transformou num GPS.



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A tempestade havia aquietado porque os seres que a haviam invocado tentaram atrair os deuses para as escarpas do outro lado do vale onde estavam naquele momento. Odin e os amigos de Thor combatiam os gigantes num local perigoso, com formações de gelo afiadas como facas dispostas pelo chão. Thor fulminava os inimigos e eliminava as armadilhas de gelo com os relâmpagos atraídos pelo Mjolnir.

De repente ele viu Sif se juntar a eles na batalha, mas não era com a deusa que ele estava preocupado.

- Onde está Jane?

- Não se preocupe! Deixei-a em segurança, na caverna perto daquela montanha.

- Thor olhou para trás. Conhecia bem Jane Foster e ela não ficaria parada naquele lugar, esperando a refrega terminar. E Loki deveria estar brincando com a mente da jovem, atraindo-a para o Templo onde ia ser sacrificado.

Os céus carregados abriram passagem para a nave branca dos Vingadores, que se colocou entre os deuses e os gigantes, reforçando o ataque.

Thor foi atirado longe por um dragão de neve chamado pelos gigantes. Quando caiu, viu a sombra de Jane Foster se afastando ao longe. Nenhum dragão da neve foi morto tão barbaramente quanto aquele que interpôs entre Thor e Jane.  O Mjolnir atravessou duas ou três vezes o crânio do animal, que agonizou durante alguns rápidos instantes e desabou no chão. O sangue azulado congelou rápido ao redor do dragão.



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- Thor está se afastando. Deve estar indo em direção ao tal Templo. Jarvis, o que você vê por aí, meu velho. Algum sinal de civilização?

- Existe uma vila perto daqui, Sr. Stark. É de uma civilização nativa. Não tenho dados a respeito.

- Pessoal, a conversa está boa, mas eu estou a fim de fazer turismo aqui na Terra do Gelo! Eu creio que Thor precisa de uma ajuda. E, doutor Banner, eu acho que Loki ficaria extremamente feliz em ver um rosto amigo lá no Templo. Será que o seu amigo Hulk não me acompanha na excursão?

- Preciso mesmo esticar as pernas! – O doutor tirou a camisa e começou a sentir toda a agressividade do local da batalha.

- Eu vou descer também! Não agüento mais ficar preso aqui! – o Gavião Arqueiro estava terminado de vestir o uniforme com dispositivo térmico.



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Jane seguia em frente e lhe ocorreu que estava muito exposta. Não havia vegetação, árvores ou qualquer coisa que pudesse servir-lhe de abrigo. Não era a toa que a gente de lá estava em conflito com outros mundos. Quem poderia ser feliz num mundo monocromático, sem outro som que não fosse o silvo do vento?

Ela simplesmente não conseguia parar de caminhar. Enquanto sentia exaustão por lutar contra o clima e o terreno ruim, sentia-se grata por ter experimentado as ilusões de Loki, porque conseguia evitar as armadilhas de gelo, as finas lâminas espalhadas pelo caminho. Era como se já conhecesse Jottunheim.

- Por que estou me preocupando tanto com Loki? Ele colocou algum encantamento em mim? Por que?  Será que ele quer que me sacrifiquem no lugar dele? Seria isso? Ou ele realmente não planejou dessa forma.......- Jane falava alto para bloquear o barulho irritante do vento.

Talvez a idéia inicial fosse apenas raptá-la e ter uma isca para atrair Thor. No entanto... no entanto... Jane nem queria pensar nisso, mas a verdade é que havia tido a experiência de sua vida dentro da mente dele e não sabia por que, aquilo tudo a tornara mais forte. Ela estava caminhando naquele lugar há horas e ainda estava viva!

Estava viva até aquele momento, o momento em que o que parecia ser um rio, fluindo sinuosamente pela neve, veio em sua direção. Ela tentou desviar-se, mas o rio a acompanhou. Na verdade não se tratava de um rio, mas de um monstro gelatinoso, que se movimentava rapidamente, deslocando volumes da massa que formava seu corpo como músculos que o impeliam para qualquer lado, como uma serpente. O bicho se aproximou rápido de Jane, e com tremendo esforço, saltou para cair sobre ela. Jane gritou e abaixou-se. Ouviu um estouro e sentiu o ar quente de uma explosão jogar-lhe o cabelo para trás. Quase ficou surda.

Depois do barulho, ainda de olhos fechados, sentiu-se envolvida num abraço que a colocou de pé.

- Jane? Está bem? Está bem? Desculpe! Não calculei direito onde ia cair o raio!

Thor gritava acima do ruído do vento.

- Estou bem! Estou bem! – Jane balançava a cabeça, tremendamente grata.

- Prá onde você vai?

- Loki está no templo!! É ali, naquela cidade.- Ela apontou para o que ainda não via. Sabia que o lugar era aquele.

- Sim!! Vou levá-la de volta! Deixá-la num lugar seguro. Resolverei isso sozinho!

Jane não conseguiu ouvir direito, mas leu os lábios dele.

- Não! Não! Não dá tempo!!! Eles vão matá-lo!!! Precisamos salvá-lo agora!! – Jane puxou-o pelo braço.

- Pode ser uma armadilha dele, Jane! Você volta! Não vou levá-la comigo.

- Eu não sei por que, mas eu preciso ir! Thor, por favor! Eu preciso ir até lá!!

Enquanto os dois discutiam a questão, um grupo de gigantes da neve se aproximou rapidamente  e, com um grito de guerra, caiu sobre o casal.



Continua....                                                                      by Ana Laufeyson

sábado, 11 de agosto de 2012

Laguz 8 - Indicação 14 anos

Estou emprestando os personagens do stan Lee. Pensando bem, eles nem são do Stan... são patrimônios da humanidade porque fazem parte do imaginário do povo nórdico, mas eu teria que discutir isso com meu advogado e ele só aparece em sexta-feira 13 na encruzilhada. Loki rules.



Não havia lugar para esconder-se, só um imenso espaço destituído de qualquer coisa. Não havia luz, chão ou céu. A Ilha do Silêncio era um pedaço do Nada recortado e encravado no meio de várias dimensões. Havia apenas um portal que se abria unicamente de fora para dentro e somente Odin possuía a chave para abri-lo: um anel mágico contendo caracteres que movimentavam as forças cósmicas.

- Fandral, traga-me o anel de Vili, meu nobre irmão, para que eu abra a passagem.

Quando Odin abriu a caixa de prata para apanhar a jóia, grande foi o seu espanto.

- Este não é o anel verdadeiro.

Thor aproximou-se, irritado.

- LOki deve ter infiltrado mais espiões em nosso palácio! Então a Norne e os gigantes foram soltá-lo e não matá-lo!

- Por que os gigantes o ajudariam? Ele matou o rei deles. – Argumentou Jane.

- Você realmente se importa muito com Loki, Jane Foster. Talvez ele a tenha encantado apenas para nos distrair, enquanto o anel era roubado. – Sif dirigiu um olhar acusador para a jovem. A deusa era respeitada por aquela gente e até Thor pareceu considerar a suspeita da guerreira.

Jane estava sozinha naquele mundo estranho, querendo ajudar alguém que havia cometido grandes vilanices em toda aquela história e ainda iria acabar sendo fulminada por um raio ou sofrendo alguma punição daqueles deuses. Justo ela, cuja religião era a ciência.





Ilha do Silêncio



O anel estava no dedo de Karnilla, a feiticeira Norne que um dia foi aprendiz de Loki. Ela aguardava do lado de fora do portal, mantendo-o aberto.

Não havia qualquer tipo de som ali e nenhuma feitiçaria funcionava. Nem os gigantes e nem a Norne queriam matá-lo, mas capturá-lo.  Flutuaram na direção do portal, que era aparentemente a única coisa  com existência real naquele lugar. Quando aproximaram-se dele, o Asgaardiano tentou escapar, voltar para dentro da Ilha, onde seus inimigos não poderiam lhe fazer mal. Loki, porém fechou os olhos e concentrou-se. Só poderia flutuar sem direção, para sempre talvez, sem encontrar outra saída. Seus perseguidores o caçariam num corredor infinito, eternamente. Na Ilha do Silêncio ninguém morre. Não há maior castigo e Loki era a primeira criatura a ser aprisionada ali.

Mas ele não suportaria fugir por toda a sua interminável existência. O feiticeiro relaxou os músculos e rendeu-se, deixando-se deixou levar pelos gigantes, cruzando o portal. Imediatamente , Karnilla jogou-lhe um encanto para prendê-lo. Mas houve um pequeno instante de liberdade, entre o momento em que ele foi puxado para fora da prisão e aquele em que a Norne restringiu seu poder, e Loki o aproveitou, enviando um pensamento através das dimensões, para a única pessoa  em que poderia confiar em todo o Universo, pois era a única que não o conhecia tão bem.

Jane sentiu um pequeno choque no fundo de sua mente seguida da euforia de sentir seu corpo trabalhando em outra freqüência, sendo tocado pela magia. Ela via o que Loki estava pensando naquele momento.

- Os gigantes estão levando Loki. Karnilla os está conduzindo por outro portal... para a terra do gelo. Jottunheim.

Thor fixou um olhar preocupado sobre a moça.

- Vamos para Jottunheim sem demora. A mortal virá conosco. A conexão que Loki mantém com ela nos ajudará a encontrá-lo. Loki não pode ser morto, nem por nós nem por qualquer outra criatura. As conseqüências de sua morte são inimagináveis. Se conseguirmos trazê-lo de volta a Asgaard, então ele deverá sofrer o Sono Eterno.

- Loki ainda está na mente dela. É perigoso levá-la conosco. – Sif estava nervosa.

- O que há com você, Sif? – Hogun, o Severo, era muito perspicaz. Sua amiga agia estranhamente nos últimos tempos.

- Não há nada. Do que está falando, Hogun?

- Vamos, meus guerreiros. Pensei que não teria mais que descer ao reino gelado para lutar. Há uma história por terminar em Jottunheim que foi iniciada no princípio dos tempos.

Odin subiu em seu cavalo e guiou os Asgaardianos e Jane de volta aos níveis superiores do reino.



Nave Avenger One

- Jottunheim novamente, hã? Esses deuses nórdicos deveriam ler uns livros budistas e se informarem sobre o Karma. Os Asgaardianos têm algum problema grave com a gente de lá. – Thony Stark  conversava com Erik Selvig sobre as últimas instruções passadas por Thor.

-Thor avisou que não podemos deixar que matem Loki. – A Viúva Negra reintroduzia coordenadas no banco de dados que Jarvis manipulava diretamente na nave.

- E se por acidente ele se atirar contra uma de minhas flechas? – O Gavião olhava pela grande janela dianteira.

- Ah, você sabe, trombetas tocando, o céu vindo abaixo, fogo, ranger de dentes... segundo o Thor, descobriram que o irmão adotado era parte de algum ritual sangrento. Odin salvou o menino e mudou todo o roteiro do apocalipse. – Stark aproximou-se do Arqueiro.

- Esse Loki não é boa coisa, sabe. Não sei se é legal mantermos o sujeito vivo. Essa história de apocalipse pode ser lenda.

- Eu achava que Thor era personagem mitológico até dividir um Schwarma com ele. – Thony deu uns tapinhas nas costas do companheiro – A propósito, precisamos voltar lá, hein? Rodada de Schwarma na quinta? Alguém?

- Eu topo. – Banner levantou a mão, timidamente.

- O portal de que Thor falou está bem a frente. Vamos saltar por ele até a terra de gelo. – A Viúva Negra avisou.

- Eu quero mais um saquinho de amendoim, aeromoça. – Clint sentou-se e prendeu o cinto de segurança.

- Estejam atentos. Estaremos entrando em outra dimensão. É a primeira vez que esta nave fará isso. Stark, espero que esta não seja a última. – Comentou o Capitão América.

- Eu dou garantia. Se ela se arrebentar em mil pedacinhos eu devolvo o dinheiro da passagem.

- Isto é fascinante. É a prova de que não vivemos num Uni-verso, mas num Multi-verso!! – O Dr. Banner parecia bem animado.

- Ainda bem que alguém está gostando do passeio. – Barton segurou firme na poltrona.

- Espero que Jane esteja bem. – Selvig olhou preocupado para Stark.

- Thor está com ela. Ela não pode estar mal.



Jottunheim

- Onde está Jane?

- Não sei, Thor! Esta tempestade de neve está encobrindo tudo!

A tempestade formava uma barreira impenetrável. Os guerreiros não conseguiam se mover.

Thor girou seu martelo e conseguiu abrir uma clareira em meio ao caos naquela terra sombria.

- Hogun? Fandral?

- Estamos aqui, Thor!

Um clarão acendeu acima deles. Odin abria caminho, empunhando seu cajado.

- A mortal se perdeu. E Lady Sif também não está aqui! Thor, meu filho, mantém seus amigos por perto. Precisamos achar as donzelas.

- Esta tempestade não é natural. Pai, eles sabem que estamos aqui.

- Elas podem ter sido arrastadas pelos ventos. Vamos vasculhar o lugar



Sif puxava Jane para dentro de uma espécie de gruta. A deusa usou sua arma para derrubar algumas pedras e fechar uma passagem que conduzia o vento gelado para dentro do lugar. Desta forma, elas conseguiram um lugar seguro para aguardar o fim da tempestade.

- Então, o que Loki está dizendo a você?

- Ele não diz nada. Ele só me mandou uma visão, certamente para avisar sobre sua captura.

- Por que ele seqüestrou você? O que ele queria realmente?

- Forçar Thor a ir me salvar. Seu plano inicial era atrair Thor e lutar com ele...

- Queria matá-lo na verdade, não é? Loki sempre teve inveja de Thor. A rivalidade de criança tornou-se em ódio.

Sif olhou Jane de alto a baixo.

- Você parece ter gostado de ficar sob influência de Loki. Justo você, por quem Thor se apaixonou.

Jane rapidamente entendeu toda a questão.

- Você ama Thor, não é?

Sif não respondeu.

- E o que adianta se ele só tem olhos para você.

- Eu não tenho chance nenhuma, não percebe? Ele vai ser o rei de Asgaard.... eu sou uma garota da Terra... não funcionaria. Simplesmente não funcionaria.

- Mas você ama Thor.... O que Loki fez com você, mortal?

- Não sei direito. Loki não é totalmente mal. Ele me mostrou coisas tão bonitas e ele tem tanto conhecimento. Não entendo como ele pode ser só maldade se cresceu com Odin e Thor... 

- Ele é filho de Laufey não de Odin.

- Matá-lo ou coloca-lo em estado de animação suspensa não vai consertar as coisas que fez, mas se pudessem despertar o lado bom dele, certamente que seria um aliado...

- Lado bom? Loki não tem lado bom. Ele é só ilusão. Não se deixe levar por aqueles olhos tão puros. Loki é uma serpente...

Jane notara que sua mente estava funcionando mais rápido, sua intuição estava aguçada.

- E você não tem segredos, Sif? O seu amigo estranhou o seu comportamento. Foi você quem roubou o anel de Odin?

- Como ousa me acusar, mortal?

- Foi mesmo, não foi? – Jane sorriu, maravilhada com o insight. - O que está havendo? Você está do lado dos gigantes?

- Cale-se, mortal! Você não sabe de nada.

- Então me explique!

Sif colocou as mãos na cintura e encarou a menina que tinha metade da sua altura.

- Eu não preciso explicar nada a você!

- Vocês criticam Loki, mas são tão cheios de segredos e fazem tantas intrigas...

- Pare de defender aquele demônio!

- Não estou defendendo. Só quero saber por que você está aqui porque ao que me parece se Loki morrer teremos o fim do mundo e eu não sei se você quer encontrá-lo para salvá-lo ou para destrui-lo.

- Eu farei aquilo que for o melhor para Asgaard ... e para Thor. E neste momento, a ação correta é salvar Loki.  Eu cometi um erro, sim. Karnilla veio a mim e pediu o anel. Ela vai matar Loki. Eu a ajudei porque vi a traição daquele que poderia ter sido grande dentre nós. Enquanto ele viver, Thor correrá  perigo e se você não pensou nisso... eu duvido que ame Thor tanto quanto eu.

- Você pode ter condenado todos os reinos!

- Karnilla trocou o anel pela vida de Loki e a paz para os 9 reinos.

- Sim, e o que essa Karnilla entende como paz? Pode ser a paz de um cemitério formado por todos os Asgaardianos, incluindo Thor.

Sif ergueu a cabeça.

- Karnilla é uma Norne. As Nornes obedecem os Asgaardianos.

Jane suspirou.

- Então é assim que vai ser? Vai nos manter presas aqui até Karnilla agir?

- Talvez. Agora cale-se. Não falarei mais com você.

- Agora entendo por que Loki não gosta de vocês...

- Está gostando dele, não é? Está se interessando por aquela aberração... – Sif sorriu levemente – O amor de vocês mortais passa tão rápido quanto o seu tempo de vida. Trocar Thor por Loki.... é quase um insulto.

- Você só pode trocar o que tem, Sif. Não tenho nenhum dos dois.

Jane cruzou os braços e ficou pensando num bom plano para fugir para longe daquela deusa e encontrar Loki antes que Karnilla agisse.





continua






quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Laguz 7 - Classificação 14 anos

Estes personagens não me pertencem e isso me deixa depressiva. Mas me vingarei criando este universo paralelo e fazendo o que quiser com eles, ouviu, Stan Lee? Obrigada por Kenneth Branagh existir e ter chamado Chris Helmsworth, Tom Hiddleston e Natalie Portman para trabalharem em Thor.



- Estou me sentindo zonza. – Jane respirou fundo. Não devia nem existir uma atmosfera naquele mundo onírico. Não sabia ao certo se toda aquela viagem era um estranho fenômeno envolvendo interdimensionalidade e expansão da mente, ou se ela precisava procurar urgente um psiquiatra. Um daqueles com bons contatos na indústria farmacêutica.

- Não se preocupe. Você não está habituada a isso e já faz tempo que você está longe do seu corpo. Eu vou passar minha energia através de você, para o seu físico. Vai sentir-se melhor...

Loki  sentou-se diante dela, de pernas cruzadas, pegou as mãos dela e apertou-as gentilmente. Estavam frias e Jane parecia prestes a desmaiar.

- Não está na hora de você acordar. Ainda me deve uma história, Jane.

A energia azulada e morna que se formou nas palmas das mãos de Loki começou a percorrer o corpo dela, renovando suas forças. A moça ainda se sentia levemente sonolenta e inclinou-se para frente. De modo suave  ela começou a erguer o rosto.

- Eu - Eu era a esquisitona da escola... Uma CDF de marca maior.

- CDF? Você fazia parte de algo como a Shield? – Loki estreitou os olhos para ela.

- Hã? – Jane piscou. – Oh, não, não... CDF é como nós chamamos aquelas pessoas que estudam demais. Que estão sempre metidas em livros e não têm tempo para a vida social.

Jane olhou para baixo, para as suas mãos seguras pelas mãos de Loki. Ele percebeu e acariciou as mãos dela. A moça desvencilhou-se e Loki sorriu ainda mais.

- Meu pai era um físico. Trabalhava para o governo e por causa disso eu ganhei bolsa, sabe....

- Não, não sei. – Loki ficava olhando para ela, muito sério.

- É quando você não precisa pagar para estudar.

- É preciso pagar para estudar? Vocês não têm  sábios que ensinam os mais jovens?

- Há quanto tempo você não vai à Terra?

Loki deu de ombros.

- E o que aconteceu com seu pai?

Loki fez um gesto e o ambiente ao redor deles modificou-se. Tratava-se agora de um luxuoso cômodo com amplas janelas, almofadas e tapetes coloridos, tudo aquecido por uma lareira.

- Era meu quarto de estudos.

- Oh.... bem melhor que o meu. – Jane estremeceu.

Estava mesmo sentada diante do Loki que havia quase devastado o mundo? Devia estar desenvolvendo síndrome de Estocolmo porque estava contando passagens de sua vida para o sujeito que a estava usando para tentar matar Thor!

- Você estava dizendo que seu pai era um físico.

- Viajávamos muito, não tínhamos parada. Minha mãe havia morrido de câncer e ficamos só nós dois. E eu não tinha nenhum amigo. Creio que você sabe como é isso...

- Temos muito em comum, não é? – Loki esticou-se e sentou-se ao lado dela, falando mais baixo enquanto o ruído da lareira tomava todo o local.

“Síndrome de Estocolmo, sem dúvida”, pensou Jane. “Por que não estou entrando em pânico e me jogando contra as paredes para sair daqui?” Havia qualquer coisa na presença do feiticeiro que a impedia de sentir-se mal. Ela não tinha vontade nenhuma de se afastar. Provavelmente ela estava sendo dopada. Algo do tipo.

-Estava no último ano do Colegial e alguns colegas me convidaram para ir a uma festinha e eu pensei... por que não? Eles me convidaram porque eu havia incluído aqueles idiotas num trabalho importante que eu fiz sozinha e ...

- Ah! Talvez fosse interessante ver isso acontecendo!

- Não, Loki!

Novamente o cenário alterou-se e, de repente, Jane se via diante do pai.

- Jane, eu vou precisar de você para checar esses cálculos. Eu tenho certeza de que estou chegando a solução disso tudo... – O pai tinha um olhar um tanto alucinado, de quem estava completamente absorvido pelo trabalho.

- Loki, por favor...

- Loki? O que é Loki, Jane? – Opai olhou para ela perplexo.

Jane piscou. Os olhos estavam cheios de lágrimas. Aquilo à sua frente era só uma ilusão, mas parecia tão vivo. Ela não tinha outra alternativa a não ser fazer o jogo de Loki novamente.

- Pai.... alguns amigos me convidaram para uma festa.

- Justamente hoje? Você podia ter me avisado antes.

- Eu avisei. Eu avisei, mas o senhor nunca me ouve. O Sr. Não ouvia a mamãe. Não ouvia nem o Selvig que era seu melhor amigo.

- Não sei se aprovo isso filha. Preciso de você aqui hoje. É uma experiência importante. – O Dr. Foster ficou sério. – Sabe quanto tempo da minha vida foi gasto nisso? A bolsa para a sua faculdade será resultado deste trabalho!

Jane soluçou e tentou reter o choro. Não conseguia falar e ficou com o rosto vermelho.

- Não posso fazer isso, Loki. Eu já tive essa discussão com meu pai... eu não vou falar aquilo de novo.

- Nem sempre os pais têm razão.

- Eu nunca havia me revoltado daquela forma. Era como se ele fosse o culpado por todo o vazio existente na minha vida. Por todo o cansaço de tentar compensar a falta da minha mãe me atirando nos estudos. Eu senti tanta raiva dele pela distância que existia entre nós....

Loki a abraçou suavemente.

- Eu entendo. Profundamente.

- Ele não respondeu. Eu falei tantas coisas e elevei a voz, gritei com ele... papai não falou nada. Retirou-se. Só isso. “Faça como quiser, então”.  Eu fui à droga da festa! E foi horrível... eu me portei como uma idiota. A certa altura da noite eu fiquei bêbada e todo mundo estava usando drogas porque os pais da patricinha que estava dando a festa estavam viajando. Tomei um comprimido que me deixou chapada metade da noite.  Um idiota me puxou para um canto e eu quase acabo a noite fazendo sexo com esse sujeito que eu nem sabia o nome... – Jane começou a soluçar – O Selvig chegou. Foi me procurar, porque o papai tinha tido um mal estar. Ele o levou ao hospital e depois foi me buscar. E me achou completamente fora de órbita, vomitando num sofá.... que ótimo. Não ouse fazer aparecer a historinha da minha vida com a sua mágica! – Jane tentou se soltar do abraço de Loki.

- Seu pai morreu?

- Não naquela noite. Selvig não contou nada pro papai. Ele voltou prá casa e não falamos mais nisso. Não falamos mais sobre nada. Ele aumentou a distância entre nós durante um tempo. Depois, acho que me perdoou por ter me “revoltado”. E daí eu fiquei cheia de culpa e decidi seguir seus passos no estudo do universo multidimensional...

- Então era por isso que você rastreava o céu... era por causa de seu pai. – Loki fixou seus olhos azuis na moça, com um sorriso maravilhado. – E você acabou amando as estrelas, não é? Elas são tão misteriosas e poderosas...

Jane sacudiu a cabeça afirmativamente.Era quase impossível não se deixar impressionar por aqueles olhos.

Loki virou-a de frente para ele.

- A cada minuto descubro mais alguma coisa que gosto em você. Se eu pudesse voltar o tempo, eu desceria à Terra no lugar do meu irmão...

Jane balançou a cabeça, tentando arranjar forças para sair do torpor que a invadia olhando para o rosto do feiticeiro.

- Pare com isso, Loki. Eu e Thor tivemos nossos momentos porque vivemos uma experiência juntos... como você pode sentir algo por mim? Só nos encontramos agora, neste seu sonho psicodélico! Você e Thor são criaturas antigas... eu devo ser como uma criança aos seus olhos. Sou alguém comum! Por que se interessaria por mim?

- Por que Thor se interessou? Você não sabe, Jane, mas tenho observado você desde o momento que encontrou meu irmão. A princípio... por curiosidade. Você é uma mulher cheia de encantos, e talvez seja a única mulher em todos os mundos que pode me entender, que pode entender que eu posso ser algo diferente. Vocês humanos, tão frágeis. É tão patético o modo como se lançam desesperados à vida. Uma existência tão curta. Poderia gostar de mim, como gosta do meu irmão?

- Você não é o Thor.

Loki segurou o rosto dela com as mãos e a prendeu com a força dos seus puros olhos azuis.

- Nem eu sei quem eu sou. Esperava que você me dissesse... – com uma carícia ele limpou as lágrimas dos olhos dela.

- Eu sou só uma humana. Simples mortal. Eu não tenho respostas para você.

- Você é a resposta, Jane.

A doutora não tinha certeza de ter compreendido o que ele queria dizer com aquilo.

- Loki, não vai poder me manter prá sempre aqui neste sonho. Por favor, me liberte!

O asgaardiano sorriu de um modo franco para a moça.

- Eu poderia mantê-la aqui para sempre. O seu corpo físico morreria, mas a sua essência seria minha, eternamente.

Jane sentiu muito medo de que ele estivesse falando sério.

- Contudo, fazer tamanha beleza cessar sua existência no mundo é um pecado que nem mesmo  eu não gostaria de cometer. Você me fez entender que Thor provava seu amor obedecendo a você!  Eu poderia fazer isso também... E mais: mandarei você de volta, Jane! E lhe darei as chaves do conhecimento que você busca... mas tem que acreditar que faço isso porque eu a quero com o desespero daqueles que são amaldiçoados e afastados de qualquer tipo de salvação. Vou mandá-la de volta, Jane. Você está muito fraca e prometi que nada lhe aconteceria...

- Vai mesmo me enviar de volta? – Jane não sabia ao certo o que esperar dele.

Loki colocou suas mãos sobre as têmporas de Jane, que estremeceu. Ele poderia fazer qualquer coisa agora: disparar raios para dentro do seu cérebro ou transformá-la numa lhama. Ou cumprir a promessa. Jane lembrou-se dos cenários tão belos que ele havia feito para ela. Talvez Loki tivesse algo de bom dentro dele, afinal.

- Seria o que meu irmão faria, não é? – Loki sorriu terrivelmente - Mas eu não sou Thor. É bom ter esperança, não é, Jane? Como é? Que sentimento é a esperança? Eu não consegui captá-lo .... foi muito rápido.

Jane começou a respirar com dificuldade. Aquele homem  ia levá-la a loucura. Ele só havia dito que ia soltá-la para estudar sua reação.

- Por que me tortura assim? Eu não lhe fiz nada.

- Fez, querida Jane. Você fez. Quando Thor me trouxe à Ilha do Silêncio, eu lhe ofereci o conhecimento de um atalho para seu mundo. Foi assim que ele conseguiu resgatar o seu corpo, depois que eu a capturei. Mas em troca, eu pedi que ele compartilhasse comigo as memórias que tinha de você. Não apenas a sua imagem, mas o que você provocava nele. Eu já possuía um plano. Este plano. Queria saber como você o afetava. Mas então, a consciência das emoções que você provocava em Thor me fez ansiar por experimentá-las eu mesmo. Apaixonei-me por você enquanto esperava usá-la apenas como ferramenta...  e a paixão é a coisa mais assustadora que alguém pode experimentar, eu posso dizer com certeza.

- E agora vai me reter aqui, prá sempre?

- Eu disse o que poderia fazer.  E disse que não sou Thor. Eu sou melhor que ele. Seu pai foi um homem honrado, Jane. Eu o vi no mundo dos espíritos... ele a ama e se orgulha de você.

Jane sorriu, num misto de acesso nervoso e profunda tristeza.

- Como posso saber se você está dizendo a verdade?

- Não pode.

Loki a beijou na testa, longa e amorosamente e depois baixou o rosto em direção ao lábios da moça. Subitamente parou.

- Há uma presença na Ilha. Mas não é Thor.

Loki ficou lívido, como se tivesse sido atingido por uma força terrível.

- Precisa ir! Há gigantes aqui. E procuram por mim! Há uma Norne junto com eles.

- Norne?

- Karnilla!

- Quem é Karnilla? Loki, o que está havendo?

- Eu não contava com isso. – O feiticeiro parecia legitimamente desesperado. E se algo assustava aquele homem, então Jane temia pelo que poderia lhes acontecer.

- Eu prometi que nada lhe aconteceria. Você vê? Estou cumprindo minha palavra. Adeus, Jane... leve-me em seu coração! – Loki pousou seus dedos sobre a testa da moça, como se a abençoasse.  

- Loki? O que eu faço? O que está acontecendo.

A última coisa que ficou gravada em sua mente foi a expressão fria de Loki, com seus grandes olhos azuis a devorar sua consciência.

A cientista sentiu como se um raio cruzasse sua mente. A dor foi tão violenta que ela desmaiou.

Asgaard



Jane acordou com um grito. Os curadores a cercaram e quase foram atirados para o chão por um desesperado Thor.

- Jane? Você está bem?

-Vão matar Loki! – Ela teve que respirar profundamente várias vezes. O coração batia acelerado. E ela sentia a necessidade de voltar para o sonho intenso que tivera. Assustou-se ao ver Thor ao seu lado e ao perceber que não estava na Terra. Voltou-se então para a única pessoa que poderia ajudá-la.-  Thor, precisa ir salvá-lo!!

- Quem quer matar Loki? – Freya aproximou-se, preocupada.

- Não sei.... não sei... ele me disse... Karnilla.... e os gigantes.

- Thor... eles vão sacrificá-lo. – Freya olhou para o filho com grande preocupação.

- Seria merecido, não é?

- Thor, eu sei de tudo o que Loki fez, mas ele me salvou. Ele me mandou de volta! Ele poderia ter me retido em sua mente! Por favor. Loki ainda é seu irmão.

- Isto é um absurdo! Por que devemos salvá-lo? O que quer que lhe aconteça será apenas a colheita do que ele plantou. Deixe-o para os gigantes e para as Nornes. – Vociferou Sif, indignada com o fato de a mortal querer que Thor se arriscasse para salvar o maldoso Loki.

- Vocês são deuses. Deveriam ter mais compaixão!

- Por que está tão desesperada por Loki? O que ele fez a você? – Thor olhou com suspeita para a amada.

Jane calou-se. Nem ela entendia aquele desespero que sentia.

- A mortal tem razão. – Odin chamou Thor – Há uma razão para eu não ter condenado seu irmão a morte. Se os gigantes o sacrificarem no templo como contava a profecia daquele povo, eles revivirão Ymir, o primitivo monstro. Ele destruirá os reinos e o tempo. Precisamos detê-los.

Antes que as luzes douradas de Asgaard se apagassem à noite, Thor, Jane, seus três amigos e Lady Sif estavam a caminho da Ilha do Silêncio.


Continua...                                  By ana Laufeyson





terça-feira, 7 de agosto de 2012

Laguz 6 - Indicação acima de 14 anos

Os personagens não são meus e isso me dá muita raiva, porque eles são maravilhosos. Stan Lee foi mais esperto e registrou as lendas de domínio público no nome dele.... ah! Stan, eu te respeito. Mas também não teria adiantado nada se o Tom Hiddleston não tivesse nascido para ser o Loki.


- Pai, eu lhe imploro! Abra-me  o caminho para a Ilha do Silêncio! É a única maneira de salvar Jane! Loki não vai deixá-la voltar, eu sei. Ela é mortal, acabará morrendo se sua essência permanecer longe do corpo por tanto tempo! – Thor estava ajoelhado diante do trono.

- Lamento pela jovem, meu filho, mas não deixarei que Loki tenha chance de retornar. – Odin não deixava transparecer qualquer emoção. Estavam sós no salão de audiências.

Thor encarou o pai com lágrimas nos olhos.

- Não confia que posso resgatar a mulher de Midgard sem permitir que meu irmão escape? Levarei meus amigos, levarei as tropas de Asgaard para que Loki não fuja!

- Ele pode voltar através dela, Thor. Loki não pode usar a magia na Ilha, mas pode projetá-la através da mente da menina. Ela não terá força para evitar isso. E se Loki tentar usá-la, nós teremos que agir, Thor. Talvez Loki queira isso mesmo. Quando você estiver longe, tentando salvar essa mortal, ele poderá nos atacar.

- E, se isso acontecer, você matará Jane?

Odin  sustentou o olhar do filho.

- Farei tudo ao meu alcance para manter o equilíbrio entre os mundos. Se a mortal tiver de ser sacrificada, assim seja.

- A mortal salvou minha vida.

- Todas as vidas são preciosas, filho e eu não desejo que a moça pereça, mas se isso acontecer, seu nome será para sempre honrado pelos 9 reinos.

- Ela é a mulher que eu amo, pai. – O grito dele ressoou pelo amplo salão. Lady Sif se esgueirava pelas colunas e ficou escutando à distância.

- Eu sei. É por isso que ela corre tão grande risco agora.

- É por isso que tenho o dever de protegê-la. – Thor não desistia.

- Seu dever é proteger igualmente a todos os seres e não se prender a um indivíduo por razões egoístas. Será que ainda não aprendeu isso?

- Eu a escolhi! Ela haverá de ser minha esposa! Será dela que sairá a descendência de Asgaard!

Sif fechou os olhos. Amava o herdeiro de Odin. Ele costumava cortejá-la, porém, desde que voltara de Midgard parecia vê-la apenas como o 4º guerreiro do grupo formado por Hogun, Fandral e Volstagg. Thor parecia ter sido vítima de uma sortilégio, tendo adquirido o seu semblante uma espécie de melancolia devido à traição de Loki e, especialmente, pela destruição da Bifrost, que o impedia de descer à Terra.

Logo após a prisão de Loki, a mortal Jane Foster caiu vítima do Sono Mágico e Thor arriscou a vida para ir buscá-la.

Odin levantou-se do trono.

- A sua paixão por essa mortal é mais uma demonstração de insensatez. Deuses e mortais não se unem sem provocar grandes perdas para um ou outro lado. Acha que essa moça abandonará parentes e amigos para viver em Asgaard? Você será rei, Thor. Não poderá viver em Midgard! Nossos mundos são muito diferentes.

- Eu farei dela uma deusa! Darei minha alma à Hela para fazer dela uma imortal.

- Está pensando só nas suas necessidades novamente. Você a conheceu por um breve momento. Segundos dentro da eternidade de uma vida asgaardiana. Thor, você viu o início da civilização dessa jovem donzela. Você viverá mais do que todos aqueles que ela gerar. Meu filho, não vejo Jane Foster sentada ao seu lado no Trono de Asgaard.

- Você tem apenas um olho,pai. – Thor arrependeu-se de ter dito aquilo, mas não desculpou-se.

- E eu vejo tudo com mais clareza que você. Foi Loki quem revelou um de seus atalhos, por onde você se meteu para chegar à Terra e resgatar a mulher quando  Heimdall lhe contou que ela caiu no Sono Mágico?

- Sim. Quando cheguei à Ilha do Silêncio. Retirei a mordaça para que pudesse dizer suas últimas palavras. Ele simplesmente me indicou um caminho e se calou.

- Vê? Loki tem um plano. Ele não oferece nada sem cobrar o preço depois. Ele sabia que a moça rastreava as passagens dimensionais.

Thor calou-se sem encontrar argumento para aquilo.

- Volte para seus afazeres, meu filho. Eu tenho os meus. Aguardaremos, simplesmente. Nossos médicos  talvez possam curar a jovem e nós, então, a devolveremos ao seu reino. E, para seu próprio bem, meu filho, esqueça-se dessa moça. A sua rainha está sob nossos céus de ouro, e não nessa obscura Midgard, nascida do sangue de Ymir.

Thor retirou-se sem ver Sif. A jovem esgueirou-se para as sombras e esperou até que Odin saísse. Silenciosamente, a moça correu em direção à sala das relíquias, passando ilesa pelas armadilhas ali espalhadas até encontrar as chaves para a Ilha do Silêncio, sinais gravados no anel mágico que se amoldava ao dedo de quem o usasse. Ela tomou a jóia e deixou em seu lugar um outro anel parecido.



Enquanto isso... em Jottunheim

- Karnilla, a Norne, não desejamos você em nosso reino. Estamos ocupados em salvar o que resta de nosso povo !

A bruxa não fez caso das palavras ásperas do novo líder dos gigantes de gelo. Lothred deu-lhe as costas e continuou seu caminho.

- Por que não obriga Loki a reconstruir suas cidades? Um pouco de trabalho forçado lhe faria bem.

- Não quero saber dos Asgaardianos.

- Ah, mas Loki não é asgaardiano... é um de vocês. Odin, cuja mãe veio de Jottunheim também, tomou o filho de Laufrey, que devia ser sacrificado no templo, para libertar esta terra das grandes maldições lançadas pelos asgaardianos. Ele foi salvo por Odin e levado para Asgaard. E trouxe a desgraça para vocês.  

- Então.... o feiticeiro é o eleito.

- Loki precisa morrer para que possam libertar-se de Asgaard. Isto foi previsto a muitos séculos. E agora Loki está vulnerável. Ele não tem poderes. Podemos capturá-lo juntos e trazê-lo ao templo, para que seu sangue limpe a sua terra.

- E o que você ganha com isso, feiticeira?

- Logo que o matarem, entreguem-me o coração dele. E com o devido ritual, passarei toda a magia dele para mim. Poder.... é o que quero como pagamento.

- Tomando o poder de Loki, vai ficar igual a ele e nos destruirá também. – Lothred estreitou os olhos vermelhos para ela.

- Não tenho nenhum interesse em Jotunheim. Tomarei Asgaard. Libertarei todos os planetas... cortarei a Yggdrasil, a grande árvore cósmica que estende seus galhos por várias dimensões. Eu só quero o Reino Eterno.

- Não nos importamos... queremos apenas ser deixados em paz! Se a morte de Loki pode trazer de volta a glória de nossos ancestrais, quando o primeiro gigante de gelo criou os homens e animais.... ajudaremos você !

- Devem vir comigo até a Ilha do Silêncio.

Os gigantes murmuraram palavras de espanto.

- Somente Odin pode abrir o caminho para a Ilha. É um lugar amaldiçoado.

- Eu logo conseguirei a chave para abrir os portais. – Karnilla sorriu e mostrou-lhe uma bola de cristal. Dentro dela começava a formar-se a imagem de um anel.



E  na Torre Stark...

- Jarvis, Jarvis, o que poderia ser uma Ilha do Silêncio?.... uma bolha espaço-temporal... como se acha isso num universo de bilhões de possibilidades? – Thony dedilhou o teclado virtual.

- Vou iniciar um rastreamento  de variações de campo magnético em quadrantes conhecidos, com base nas anotações da Dra. Foster.

- Cadê o café? Alguém pegou a garrafa de café que estava aqui? – Clint Barton esfregava os olhos e bocejava. – Olha, eu preciso dizer que meu humor fica péssimo quando estou com pouca cafeína no sangue!

- Eu peguei o café. – O Dr. Banner estava abraçado com a garrafinha, fazendo cálculos.

- Oh.... tudo bem.... acho que tem chá por aqui. – Barton não estava a fim de deixar Banner nervoso por causa de uma xícara de café.

- Podem me recordar por que é que eu estou no meio da noite de sábado brincando com meu computador, vasculhando dimensões atrás do  Homem Rena, em vez de estar de pijama e pantufas , tomando chocolate quente, assistindo meus episódios favoritos de Os Três Patetas  e dando uns amassos na Pepper?

- Precisamos salvar a Dra. Foster. Loki a mantém prisioneira em algum tipo de transe mental e isso pode matá-la. – Dr. Banner explicou calmamente. – E aparentemente o pai dele proibiu os asgaardianos de irem até lá.

- Certo. Mas não foi isso que perguntei. O que eu quero saber é o que faremos quando encontrar o maluco? Vamos lá e simplesmente pegamos a alma da dra. de volta e fazemos um ritual haitiano prá ela voltar pro corpo dela? – Stark coçou a cabeça.

- Podemos explodir a cabeça do Loki prá soltar a Dra? – Barton acariciou seu arco.

- Dentro da Ilha do Silêncio o Loki não pode usar magia. Precisamos entrar lá e obrigá-lo a soltar a Jane, foi isso que entendi do que Thor explicou. – Erik Selvig trazia olheiras de noites mal dormidas.

- Sr. Stark.... existem pistas de forte atividade magnética associada  às trajetórias de alguns dos microsatélites enviados pela Dra. Foster para rastreamento de buracos de minhoca. A mais forte é esta... – Jarvis projetou numa grande tela um mapeamento do céu.

- Hmmm.... vale a pena checarmos? Quem está a fim de sair deste laboratório e ir visitar o irmão do Thor levante a mão. Levaremos o Banco Imobiliário e uns filminhos pornô pro rapaz se divertir no exílio e não precisar ficar roubando a namorada dos outros.

- Natasha, por favor, avise Thor que talvez tenhamos encontrado o caminho. – O Capitão América olhou para o mapa. – Não sei o que teremos pela frente, pessoal, preparem-se.

- Jarvis, quero a nave carregada com armas de vários tipos, cargas de energia, reforce escudos, e quero um litro de água benta e sal grosso.

- Entendido, senhor.



Continua...                                          by Ana Laufeyson