...Era uma vez...

Loki, deus do fogo, rei da mentira, mestre da ilusão, benção e maldição dos deuses do panteão nórdico, que podia ajudar ou desgraçar a vida de mortais e imortais por mero capricho.
Um belo dia, o santo Stan Lee transformou as lendas e mitos escandinavos em uma fantástica história em quadrinhos e esses personagens incríveis foram parar nas telas com "Thor".
Porém, Loki, nós sabemos, não é só um personagem... Loki resolveu invadir a Terra e conquistá-la só com o charme. Gostou tanto do desafio que acabou ficando por aqui, aprontando das suas... se fazendo passar por um ator Shakespeareano talentoso e lindo que atende pelo nome de Tom Hiddleston. Este blog reúne algumas lendas e fanfiction relativa ao personagem. Estes personagens não me pertencem e não pretendo ganhar dinheiro com essas histórias. Tudo isso é só diversão. Os personagens pertencem à Marvel, do meu queridão Stan Lee. E Tom Hiddleston pertence a ele mesmo... porque he does what he wants.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Laguz - Parte 2 (Indicação acima de 14 anos)

Os personagens todos continuam sendo do nonno Stan Lee. Tom Hiddleston é só um disfarce, quem você vê nos filmes é o Loki de verdade.


Depois de dizer “olá!”  para o décimo serviçal e não obter resposta, Jane tratou de evitá-los, procurando caminhos alternativos de um cômodo para o outro. Estava começando a achar aquele lugar um tanto sinistro e por mais que andasse, subisse e descesse escadarias, sua peregrinação terminava sempre em sacadas de pedra com riquíssimos detalhes, salões de madeira dourada e jardins internos muito parecidos uns com os outros. O lugar era imenso, no entanto, a jovem cientista começava a sentir-se ligeiramente claustrofóbica.

Estava tentando dirigir-se para baixo, procurando uma saída. Atrás de uma porta ornada com o trabalho de linhas trançadas tipicamente viking, Jane encontrou um quarto pequeno e aconchegante. Era aquecido por uma lareira instalada bem no centro . Havia muitas peles sobre um estrado dourado e bonito. O cenário fez com que ela se lembrasse de que não dormia há duas noites. O efeito do café estava se dissipando e suas pernas doíam. Havia um cheiro bom de madeira, doce e levemente picante. Ela se lembrava desse aroma tão convidativo: a casa de sua avó, no Oregon.

Como Thor dissera, ela seria servida com tudo o que precisasse ali, e precisava com certa urgência de alguma referência do seu mundo real e confortável que estava em algum lugar fora daquela dimensão esquisita.

Ela sentou-se na cama e seu corpo desabou sobre a maciez quase obscena daquela cama viking enorme. Jane soltou um longo gemido de alívio, mas recompôs-se rapidamente, sentando-se depressa e ficando atenta ao que acontecia ao redor. Pensando bem, não era uma grande idéia dormir agora porque nem ao menos tinha certeza de que estava mesmo segura com aquelas pessoas estranhas e silenciosas deslizando pelos corredores como sombras.

Não podia nem garantir que quem a trouxera aquele lugar fosse mesmo Thor. O tal Loki tinha seus poderes. Havia visto mais coisas estranhas nos últimos meses que em toda a sua vida. Não devia ser difícil para um supervilão mestre em feitiçaria tomar a forma de alguém tão próximo a ele como o irmão. E ela podia ser a isca para uma armadilha para Loki atacar Thor.

Aquele café todo devia estar provocando paranóia, mas Jane daria tudo por um pouco mais e sem açúcar. Ou talvez aquela dimensão tivesse uma gravidade diferente e ela estava se sentindo mais lenta do que de costume.

- Alerta! Abra os olhos, sua estúpida! Thor ou quem quer que seja vai voltar... não posso simplesmente ficar aqui esperando.

Precisava ela mesma se proteger e tomar as rédeas da situação.

A primeira coisa era encontrar algo parecido com um taco de baseball. Estranho... aquilo parecia-se muito com o taco de baseball com o qual brincava quando tinha uns 8 anos.



A noite no 7º Reino era feita de um céu ametista e claro, raiado de nuvens douradas. Havia uma brisa fresca entrando pelas janelas, que estavam sendo fechadas pelos serviçais.

Thor passou pela abertura brilhante do portal e foi violentamente agredido por algo que parecia ser um taco de baseball!

- Quem é você? – Gritou a doutora Foster.

- Ei! Jane! Não! Pare! Por que está me batendo? -  Thor já enfrentara muita coisa em sua vida, mas nunca fora agredido pelas donzelas que salvara. Ele tentou segurar o bastão e tirá-lo da moça.

- Eu não pedi nenhuma prova !! Como posso saber se você não é Loki?

- Ai! O que quer que eu faça? Pergunte algo! Pergunte qualquer coisa!

- Não sei se é boa idéia! Se Loki é um feiticeiro, não seria difícil para ele... ou para você... descobrir as respostas para minhas perguntas. E Thor me disse que a sua gente fica observando tudo o que nós fazemos lá na Terra e eu não me sinto confortável sobre isso!

- Pare de me bater! Olhe, eu tenho o Mjolnjr! Ninguém pode pegá-lo, somente eu! Vou colocá-lo no chão e você tenta erguê-lo! Verá que é impossível!

- Isso é meio sem sentido também ! Olhe prá mim! Tenho metade do seu tamanho! Eu não conseguiria erguer isso nem se fosse um falso Mjolnjr!

- Pare de bater! – Thor arrancou-lhe o bastão. – Meu Deus, onde conseguiu isso?

- Ainda não sei quem é você e não quero que se aproxime de mim.

- Tudo bem, Jane! Eu fico bem quieto e seguro aqui e você fica bem desarmada e quieta onde está. Posso te dar qualquer prova que quiser.

- Leve-me de volta, então. Thor faria o que eu lhe pedisse. Mesmo que não concordasse. Se o seu irmão é tão poderoso vai me encontrar aqui e eu acho que tenho mais chance de me transformar num alvo aqui neste lugar maluco.

- Você sabe, o meu reino faz parte do que você chama de “lugar maluco”. – Thor suspirou, ligeiramente indignado.

- Leve-me de volta. Se fizer isso, terá provado quem você realmente é.

O deus do trovão olhou fixamente para a moça, avaliando seu semblante determinado.

- Assim seja. – Ele estendeu a mão para ela. – Você é uma criatura notável, Jane Foster.

Thor a puxou suavemente para junto dele  e caminharam pelos corredores, de volta ao nível superior.

- Parece exausta. Você não dormiu?

- Não consegui. – Alguns servos ainda transitavam pelos corredores.

- Então, com licença, mylady!

Thor a tomou nos braços, como se levasse uma criança. A moça quis protestar, mas a situação era agradável demais e ela recostou a cabeça sobre o ombro dele, extremamente agradecida pela carona.

- Logo estaremos em seu mundo, então, tente descansar um pouco, se puder.

Jane olhou para um servo que se distanciava. Passaram por outro e mais um. Jane franziu a testa.

- Engraçado. Todos os serviçais deste castelo tem um rosto muito parecido.

- Não são pessoas de verdade. São formas-pensamento alimentadas durante muitos anos até ficarem sólidas.

- Eu estou tão mal que o que você acabou de me dizer está fazendo sentido.

- Você achou o santuário muito estranho? Pensei que o acharia belo. Se tivesse que ficar muito tempo aqui, queria que encontrasse prazer observando as paisagens. – A voz dele tornou-se mais suave.

- As paisagens são lindas. Eu certamente apreciaria mais se não estivesse presa aqui, se pudesse ir e vir quando quisesse, sozinha, sem precisar de alguém para abrir e fechar a porta....

Thor olhou para ela e riu.

- Você não aprecia nem o fato de ser eu a abrir e fechar as portas aqui?

- Não gosto de depender das pessoas. De qualquer pessoa. Não gosto de ter minha liberdade tolhida.

- Ah! As mulheres mortais, tão rebeldes nestes tempos!

- Não me diga que você acha que lugar de mulher é na frente de um fogão ou qualquer besteira chauvinista desse tipo?-  Jane sentia que sua voz estava mais pastosa e sonolenta.

- Eu tenho certeza de que eu poderia achar lugares bem melhores para você do que na frente de um fogão, Jane Foster.

- Só não mando você me colocar no chão agora porque eu tenho de dizer que é muito bom ser carregada por um super herói quando se está com sono... hmmm... é como...  quando eu era uma criança...

Jane olhou para os serviçais à distância. Eles não tinham rostos parecidos: eram os mesmos rostos! E enquanto um deles fechava uma janela, o céu de ametista se desfazia lá fora, revelando uma parede de pedra.

Quando ela retesou o corpo, Thor se deteve.

- O que foi?

- Não sei! – Jane levou as mãos à cabeça. – Acho que alguma coisa não vai bem, Thor. Eu não estou certa do que.

- Acalme-se, Jane. Eu estou aqui e nada de mal vai lhe acontecer. Eu prometo.

A voz dele era um sussurro.

- Você sente este perfume? É como incenso....é como..... esses serviçais têm o rosto do Sr. Barney.... um senhor simpático da loja de doces.... tudo aqui parece ter sido tirado da minha cabeça.

- Calma, Jane... você está em outra dimensão. Acho que isso está afetando sua mente. Tente relaxar. Eu vou tirar você daqui.

- Não. Eu não quero relaxar! O céu lá fora.... eu desenhava o céu com crayon roxo e a Sra. Margareth tentava me corrigir! Eu sonhava com torres no mar lendo livros de cavalaria.... Eu fantasiava com você... sozinha num castelo....

Jane sentiu um arrepio percorrer sua espinha e olhou para o rosto de Thor, tão perto do seu. O asgaardiano parecia ser a única coisa real em todo aquele cenário e, no entanto, ela estava muito consciente de que aquela aparência era uma ilusão.

- Solte-me. Por favor... – a jovem cientista mal conseguia controlar o coração que disparou por causa do medo.

O sorriso de Thor se espalhou pelo rosto dele de um jeito incomum.

- Você é muito inteligente, Jane. E tem uma força de vontade incomum para uma mortal. Não é todo mundo que consegue lutar e vencer uma ilusão como esta. Eu tive trabalho para controlar a sua mente.

O rosto de Thor oscilou, como se estivesse desfocado, deformou-se e se transformou na face pálida e delicada do mestre de feitiçaria. Os olhos azuis dele brilharam. Jane estava nos braços de Loki.

- Coloque-me no chão. – Jane falou a frase com dificuldade. Aquele Asgaardiano tinha uma reputação bastante ruim.

- Eu não sou o Thor. – Ele continuou sorrindo, irônico. – Vai ter que me persuadir a fazer o que deseja que eu faça com um pouco mais de empenho.

Jane desviou o olhar daqueles olhos azuis grandes e intimidadores que pareciam sondar os recantos mais íntimos da sua alma e com um esforço ainda maior fez nova súplica, entre dentes, com um misto de vergonha, raiva e pavor.

- Por favor... coloque-me no chão.

- Não. Eu não sou mesmo o Thor.

Loki simplesmente a soltou. Jane gritou e caiu pesadamente no chão. Era forrado de almofadas, sim, mas não foi uma experiência agradável, de qualquer forma.

O susto do gesto inesperado fez com que ela saísse do torpor. Olhou em volta e viu um vaso de onde saía grandes quantidades de fumaça perfumada, provavelmente o alucinógeno que a fizera entrar naquele delírio. Rezou para que aquilo não a fizesse vomitar mais tarde.

-  Não pude evitar! Eu tenho que fazer essas coisas, afinal, acho que agora eu sou o vilão, não é? Não é o que meu irmão lhe disse?

Jane balançou a cabeça afirmativamente e tratou de não olhar diretamente para ele. Fecharia os ouvidos se pudesse. Não entendia como havia acordado naquele lugar.

- Jane, eu fugi de algo pior que a morte, acredite-me. E não o teria feito sem você. – Loki encheu uma taça com um líquido e agachou-se para oferecer a ela. Jane olhou para a taça como se ela fosse uma serpente prestes a atacá-la. – É água e uma pitada de antídoto para toda a Neblina de Sonho que você respirou. Creia-me, você vai me agradecer amanhã se tomar isso agora. Você sonhou por horas, Jane. Por isso está se sentindo tão mal. Beba isso.

A jovem sondou rapidamente o local com os olhos.

- Você é uma doutora das leis da física da sua realidade, Jane. Sem o antídoto, talvez você morra quando estiver dando os primeiros passos para longe de mim. Sinceramente eu não quero que isso aconteça.

- As lendas dizem que Loki é o deus da trapaça e da mentira. – Jane não sabia de onde havia tirado coragem para dizer aquilo para o feiticeiro psicótico.

- As lendas dizem que Thor é um brutamontes beberrão. Você concorda com isso? Alguns relatos sobre mim são... – ele fez um gesto gracioso com as mãos, procurando a palavra certa - ...exagerados.

- Nossas lendas dizem que você nunca cessou de fazer mal à humanidade. E no final dos tempos você se juntou aos monstros para matar os deuses. Dizem que no fundo de cada lenda reside a verdade.

- Talvez eu faça isso mesmo, quando o Fim chegar, mas não deve se preocupar com isso agora.  Tome o antídoto, Jane. É sério. E você deve saber o quanto eu fico irritado quando sou contrariado. – A voz dele não se alterou, sempre manteve-se calma e amável.

Jane obedeceu e tomou o conteúdo da taça. Tinha um gosto bom e logo espalhou-se pelo seu corpo junto com uma sensação de calor.

- Você vai ficar bem.

- Thor virá atrás de você. É isso que quer? Montou uma armadilha para ele? – Jane ainda não falava com ele, continuava  olhando para a taça.

- Não quer me olhar nos olhos? Eu não sou a Medusa, querida! Pode olhar para mim, eu não sou tão feio assim. Algumas donzelas aprovaram o que viram.

Ele tocou de leve o queixo da moça até que ela o encarasse.

- Você tem magníficos olhos castanhos, sabia?

- Thor nos encontrará.

- Ainda demorará um pouco. Ele não pode nos ver. Meu poder está nos mantendo ocultos de todos os que poderiam ajudá-lo a achá-la também.

- E por que isso? O que aconteceu de fato? Como me trouxe aqui?

- Minha nossa... quantos questionamentos. Mas isso me agrada. Gosto de conversar e faz muito tempo que não tenho uma companhia tão encantadora, desde que meu pai e meu irmão me condenaram à Ilha do Silêncio.

- Se está tentando fazer com que eu sinta pena de você, acredite-me, é perda de tempo. Você quase destruiu o meu mundo.

- Não espero nada de você, mortal, a não ser que sirva aos meus propósitos. Sim, você descobriu um caminho até mim porque eu consegui fazer com que me encontrasse. No momento em que sua câmera entrou na Ilha do Silêncio, consegui estabelecer uma conexão mental com você. Você, aliás, ainda está em seu laboratório. As explosões, o seu carro no deserto, minha queda, o santuário... nós, aqui, neste momento, nada disso é real.

- Como assim?

- Sonhos, dentro de sonhos, tecidos numa ilusão gigantesca. Eu estou na Ilha do Silêncio e controlo você, que está no seu laboratório, em sono profundo. A Ilha é inexpugnável e eu jamais poderia sair de lá. Mas quando Thor descobrir que a mente da sua amada está presa sob o meu poder... ele virá até mim.

- Se consegue me controlar com seu poder, porque não consegue fugir dessa Ilha?

- Não posso fazer qualquer tipo de magia aqui. Por isso me mandaram para cá. Na Ilha, o poder da minha voz não existe e eu enfraqueço. Mas eu consegui criar este sonho para  ter a sensação de liberdade mais uma vez... - O seu sorriso ampliou-se.

- Então, porque me fez beber isso?  Se tudo é só ilusão?

- Vocês, mortais, não entendem que muitas vezes, as ilusões criadas pelos deuses são, na verdade pequenas realidades. O que quer que aconteça aqui, nesta dimensão, reflete no seu corpo físico... e, sim, eu senti aquela surra de bastão!

Jane começou a sorrir ao se lembrar das pancadas que desferiu em Loki e imaginou a gargalhada de Thor ao lhe contar a história.

Loki também sorriu e se aproximou um pouco mais da moça, que recuou, assustada.

- Ah! Mas eu também senti o beijo. – Ele fechou os olhos e suspirou - E, eu sei, que você também gostou. Penso que Thor rirá menos quando eu lhe contar esta história.



Enquanto isso, no Novo México.

Nick Fury dava ordens aos seus homens para que baixassem o helicóptero. O Homem de Ferro chegou naquele minuto.

- O que houve? Onde está a Dra. Foster?

- Nick olhou para uma equipe médica da Shield que saía do laboratório puxando uma câmara hiperbárica.

- Ela está desacordada há horas, mas sua atividade cerebral é intensa. Vamos levá-la para a Shield para testes. Bob nos contactou.

- Não! Espera! O que vão fazer com ela? Já checaram os computadores dela?

- Eles explodiram, Stark. Acho que a Dra. encontrou algo que não devia.

Um relâmpago atravessou os céus e um desesperado deus do Trovão aterrissou ao lado da equipe da Shield. Thor ficou olhando para sua amada.

- Abram isso. – Ele ordenou à equipe, sem tirar os olhos dela.

- Thor, a moça está sendo atendida, deixe a equipe...

- Ela não está doente! Ela está enfeitiçada! Abram isso!

- Abram a câmara! – gritou Stark. Nenhum dos Vingadores tinham autoridade sobre a equipe, mas os homens da Shield hesitaram, considerando se era são ignorar ordens de um deus zangado e de um homem vestindo uma armadura indestrutível.

Fury cedeu e deu sinal para que a câmara fosse aberta.

Thor retirou a doutora de dentro da câmara com muito cuidado e voltou-se para Thony.

- Tenho certeza de que Loki está por trás disso. Eu levarei Jane para Asgaard, para as Casas de Cura. Assim que descobrir o que há com ela, eu mandarei uma mensagem.

Thor usou o Mjolnir para abrir a passagem para seu mundo e desapareceu.

Thony olhou para o traço brilhante da passagem se fechando e voltou-se para Fury.

- Às vezes tenho a sensação de que vou ver esse menino com o irmão num daqueles programas bregas em que a família briga na frente da Tv. 

- Só espero que não destruam o nosso mundo por causa dos problemas de família deles.



Continua...                                                        Fanfic by Ana Laufeyson






segunda-feira, 30 de julho de 2012

Laguz (romance Loki/Jane - indicação 14 anos)

Laguz
(atenção, os personagens abaixo não me pertencem! São da cabecinha do Stan Lee e dos roteiristas dos filmes Thor e Avengers. Não quero ganhar grana com isso. Sta Lee, eu te amo. Não tanto quanto amo Tom Hiddleston, lógico, mas não vou roubar seus personagens, ok? Não me processe!)



- Loki.... você desonrou a minha Casa. Traiu a mim, que sempre o amei. Traiu seu irmão. Quase levou seu povo à destruição! Poderia ter provocado o Ragnarok. - Odin baixou os olhos e apenas murmurou a palavra final. O Fim dos Tempos. O fim de Asgaard provocaria um colapso no tempo e no espaço, torcendo as dimensões de realidade, esmagando os Universos e condenando toda a Criação ao retorno ao Caos.

O velho rei olhou para o filho com fúria, que logo se transformou em tristeza. Os grandes olhos azuis de Loki estavam escancarados, cheios de medo. Se ele compreendera finalmente o erro, ou se apenas temia a punição que lhe seria imputada, isso nem Odin podia dizer. Ninguém conseguia dizer o que se passava pela mente obscura do jovem príncipe. Uma mordaça feita de metais especiais era mantida bem presa ao redor de seu rosto, impedindo que ele proferisse qualquer palavra. A língua de Loki era feita de mel e veneno, podia envolver a mente em feitiços sofisticados, seduzindo a vítima rapidamente, persuadindo deuses e homens que eram colocados sob seu comando. E podia queimar com a agressividade do vento do inverno.

- Eu bani Thor equivocadamente, por sua causa. E foi grande a mágoa que causei em meu leal filho. - Odin olhou para Thor, que tentava não fitar Loki. - O que farei com você, Loki? Diga-me, filho.... o que posso fazer para que você compreenda o Mal que causou?

A mordaça abriu-se de chofre e Loki gemeu de dor. Hesitou alguns segundos, erguendo os olhos para a mãe adotiva e para Thor. Os olhos dos dois guerreiros se encontraram. Não havia raiva nos olhos do outro Príncipe. Havia uma certa ansiedade e aquele brilho que Loki sempre se referiu como o brilho tolo nos olhos do irmão, que voltava-se sonhador para as estrelas, com um otimismo e esperança sempre renovados.

-FALA, O QUE ESPERA DE MIM DEPOIS DE TUDO O QUE FEZ?

O rapaz estremeceu. Odin não teria clemência. Mas Loki era também um príncipe. Não era um covarde, e embora trêmulo diante da Justiça de Odin, ele se recompôs e encarou o pai.

- O Sono do Esquecimento. A Morte. O que mais posso esperar? Mereço outra coisa que isso, Grande Odin? Pois já não tenho utilidade para Vossa Majestade.

- Loki.... - Thor abanou a cabeça, só conseguia se lembrar do amigo que o acompanhou por toda a infância e não do homem contra o qual lutara.

- Não! - Freya levantou-se do trono. Amava Loki apesar de tudo o que fizera, porque o criara como seu filho.- Loki é um Asgaardiano e não pode ser condenado ao Sono Eterno...mesmo tendo cometido tantos atos reprováveis. Ele também realizou grandes façanhas e salvou nossa gente antes, lutou ao lado de Thor e ao seu lado, meu marido Odin! Ele é um de nós!

- Não! Não sou! É este o problema, minha rainha! Eu não sou um de vocês e, no entanto, a maioria dos erros que cometi foi porque acreditei que era um de vocês... mas o que eu sou, o que eu sou de fato? Eu sou o Inimigo... eu sou o Erro que deve ser corrigido.

- Basta. Loki, estou farto disto. Você será banido para a Ilha do Silêncio e lá permanecerá, por todos os séculos, até o Fim dos Tempos... em total isolamento, para que a sua Maldade também seja esquecida.

- Não, isso não! - Loki empalideceu. Sofrer o Sono do Esquecimento era uma coisa. Ele dormiria até o Ragnarok, para acordar e lutar na última batalha dos deuses. Na Ilha do Esquecimento ele passaria cada dia desperto, num mundo sombrio, sem sons, sem objetivos, sem esperança, até enlouquecer. Único morador de uma dimensão entre dimensões. Como um som ecoando numa caverna, ele lentamente perderia suas forças e deixaria de existir como um ser vivo e, contudo, não morreria.

- Pai! Eu imploro, não faça isso! Não faça isso comigo!

- Esta é minha decisão. Seja feita a minha vontade. - Odin levantou-se do trono e deixou o grande salão dourado, seguido pelos seus pares.

Loki continha a custo o choro. Estava aterrorizado. A mordaça voltou a lhe ser imposta e ele tentou tirá-la. A guarda pessoal de Odin o imobilizou, colocando-o de joelhos. Ele ergueu a cabeça e viu Freya e Thor olhando para ele. O irmão não fizera nada para salvá-lo de um destino pior que a Morte. Sua raiva voltou e inutilmente ele gritou, tendo seus urros abafados pela mordaça.

Thor retirou-se.


Foi procurar o pai e ajoelhou-se diante dele.

- Pai, eu lutei contra Loki e o subjuguei. Eu o venci! Ele foi trazido como meu prisioneiro! Entregue-o para mim e eu o levarei a nossos aliados terráqueos. Eles têm tecnologia para detê-lo.... eu vi! Ele poderá ficar lá sob vigilância.... ainda existe o Bem dentro dele! Ele é meu irmão!

- Ele bem o disse, Thor. Ele não é um de nós. O meu sangue não corre nas veias dele. Somente o ódio e a vilania correm nas veias de Loki. Para qualquer dos mundos que o mandarmos ele se livrará das correntes e se transformará numa fonte de morte e horror. Não matarei Loki, mas não permitirei que ele viva para levar este ou outros universos à ruína. Você tem um coração bom, meu filho. Mas um rei não pode ser bom. Ele tem de ser justo.

- Então me deixe levá-lo para a Ilha do Silêncio. Para confortá-lo apenas.

- Não.

- Pai. Talvez eu nunca mais o veja e eu quero lhe dizer algumas coisas. Quero que ele se lembre dos momentos felizes que tivemos, como irmãos. Talvez isso possa salvá-lo.

- Loki não pode ser salvo, Thor.

- Mas eu quero estar ao lado dele nesta hora. Talvez eu não tenha sido o irmão que devia ser.Talvez eu tenha falhado também.

Odin suspirou.

- Acompanhe-o. Mas cuidado, meu filho. Loki não é mais o seu amigo de infância.


Pouco tempo depois, Loki foi levado para a Bifrost. Seus passos eram hesitantes e tentou resistir e fugir, mas Heimdall era seu vigia. Por fim, Thor posicionou-se ao lado dele e pousou a mão em seu ombro. Loki não esboçou qualquer emoção. Ambos desapareceram num relâmpago.


Enquanto isso, na unidade de pesquisas científicas Stark, no Novo México...


- Dra. Foster, veja as leituras!

Jane sorriu abertamente. Ela adorava quando seus planos davam certo.

- Invertendo a polaridade do dispositivo de entrada conseguimos criar um buraco de minhoca temporário que dura bem mais tempo que os outros!

- Ative a câmera!

O ajudante digitou códigos no computador e uma pequena cápsula foi ejetada de um satélite movido por controle remoto para dentro do buraco de minhoca. O caminho descrito por ele parecia cenário de um show psicodélico.

- Parece a Millenium Falcon saltando pelo hiperespaço! - brincou o ajudante. Jane suspirou, sentia falta da lacônica mas coerente Darcy.

- Ela está sendo puxada pela força gravitacional do que quer que esteja do outro lado do buraco...

- Está diminuindo.... meu Deus, ela está chegando em algum lugar!

A imagem foi escurecendo e então explodiu num clarão uniforme.

- Droga, deve estar com defeito!

- Não... não está. Está perfeitamente operacional, doutora.

- Mas onde ela está? O que está focalizando?

- Olhe.... tem qualquer coisa ali na frente....está se aproximando.....

- Bob.... amplie isso.....

A forma pulou sobre a câmera e tudo ficou escuro.

- Volte a gravação. Eu quero ver o que era aquilo.

Bob digitou algumas teclas. A figura foi se tornando mais nítida. Jane Foster sentou-se para não desmaiar: era uma forma humanóide.

- Calma.... calma.... Bob, quais as chances de essa porcaria de câmera ter caído num vórtice temporal e termos filmado o meu tio Clancy no quintal da casa dele num dia especialmente ensolarado?

- Doutora... o seu tio teria que estasr em algum ponto que, Jesus, está no meio de algumas... dimensões.... eu tenho coordenadas. Veja! Quer que eu chame alguém da Stark? Eles podem checar!

- Não! Não, não, não. Cada vez que eu notifico algo para a Stark, a Shield aparece aqui e redecora o meu laboratório. Desta vez eu quero saber direito o que é que eu estou vendo e só depois é que vamos fazer um relatório. Tudo bem prá você?

- Você manda, chefa. Além disso.... eu não quero levar nenhuma martelada do seu namorado....

O ruim de trabalhar em repartições do governo era que sua vida íntima era o principal assunto na pauta. Ela até queria que Thor fosse seu namorado, mas não trocaram mais que um beijo e então ele foi salvar o mundo e nunca mais voltou. Sabia dele pelos jornais.

Talvez ela pudesse fazer uma bomba e ameaçar explodir buracos de minhoca. Ela poderia ser mais interessante para um super-herói como cientista louca. Além do que havia trabalho demais para ser feito e seus relacionamentos nunca duravam mais que uma semana por causa disso.

Ser mulher de super herói deveria ser igual a ser a primeira-dama. Dar entrevistas para revistas, fugir de vilões, torcer pro cara não ser morto por alienígenas e andróides assassinos.... e sobreviver às piadas sem graça dos colegas. Não dava prá paquerar alguém que se vestia com um estilista de cosplay e sair ilesa. Com um grande esforço, ela estava tentando esquecer o Thor e queria pensar que ele estava também tentando esquecê-la - o que demonstrava um pouco de arrogância da parte dela, por achar que um deus nórdico teria que se esforçar para esquecer uma terráquea comum feito ela.

- Bob, dá prá reativar a câmera?

- Não... ela está ativada, mas deve estar em algum lugar que impede a definição de imagem.

- Ative o áudio.

- Está ativado. Sem retorno. Não há som nenhum.

- Quanto tempo temos?

- Uns 15 minutos até a câmera pifar. Não sabemos até quando o portal fica aberto.

- Manda mais umas duas câmeras prás mesmas coordenadas.


Duas garrafas de café depois, mais quatro câmeras foram enviadas e uma delas conseguiu o registro de novas imagens.

- A forma humanóide está definida novamente!!!

- Dá zoom!

- Ele está se aproximando.

- Melhore a imagem.

- Está se definindo.

- Meu Deus...

Era Thor, bastante abatido e ferido. Ele se aproximou da Câmera e moveu os lábios: Salve-me.

- O portal esté se fechando.

- Não! Não! Mantenha isso aberto!

- Não tem como, doutora! Não controlamos! O fato de conseguirmos encontrar esse buraco de minhoca já foii um milagre!

- Não foi milagre! Thor está em perigo!

Jane parecia tomada e empurrou Bob para longe e passou a mexer ela mesma no computador, digitando rapidamente, praguejando, refazendo cálculos.

- Está fechando, Dra!

-Cala a boca!

- Que está fazendo?

- Cala a boca!

- Ei... você não me mostrou isso! Você pode criar um impulso para aspirar coisas nesses buracos?

- Eu devia matar você agora, Bob, por saber disso... mas acho que vou presa por matar um espião da shield, não é?

- Desde quando sabia que eu era da shield?

- Você é Nerd demais!
O computador pifou e todo o sistema pipocou em curtos-circuitos. O notebook de Jane começou a apitar e mostrou um mapa com um ponto luminoso cruzando cada vez mais rápido as marcações de quadrantes do espaço. Jane agarrou o notebook e deixou um laboratório explodindo para ele cuidar. Certamente ele se divertiria tentando encontrar anotações secretas.
Jane se jogou dentro da caminhonete. A noite estava gelada, mas ela nem se preocupou em vestir o casaco.
Assim que caiu na estrada, os helicópteros começaram a segui-la. Ela também estava pouco se lixando para eles. Ela e só ela podia pegar aquela bola luminosa que percorria a tela do notebook.
- Me dá um pouquinho mais de tempo, Thor! Por que sempre nos encontramos assim?
Ele chegou antes dela ao solo arenoso do deserto.
Os helicópteros estavam logo acima, e inundaram de luz o chão. Havia uma forma de vida ali, enrolada numa capa vermelha.
- Thor? Thor? - Jane pegou-o nos braços, limpou o rosto sujo de terra.
Ele abriu os olhos e aspirou todo ar, como se tivessenascido naquele momento. E gritou, gritou alto, com dor, com raiva. Jane Foster assustou-se, mas não o soltou.
Só então Thor olhou prá ela e abriu o sorriso de puro deleite.
- Salvou minha vida, Jane Foster.
Ele tentou proteger os olhos das luzes dos helicópteros.
- Tenho que levar você a um lugar seguro. Loki está aqui.
- A Shield pode ajudar? Os helicópteros são deles.
- Temo que só atrapalhem... Quero tentar algo. Não sei se vai funcionar, mas se funcionar, você precisa fazer exatamente o que eu lhe mandar.
Thor levantou-se e girou o martelo, fazendo aparecer uma fina linha brilhante diante deles.
- Estou rasgando o tecido da realidade. Fique bem junto de mim. Nós vamos pular para dentro dessa passagem. Respire fundo e eu protegerei você. Só abra os olhos quando eu mandar, ok?
O notebook pifou assim que o portal de Thor abriu e o deus do trovão puxou a moça para junto dele, através da passagem, que se fechou logo depois.
- Pode abrir os olhos.
Jane os abriu. Estava numa sala ricamente decorada.
- Uau! Você tem um esconderijo bem maneiro.
- Maneiro?
- É... hã.... é encantador.
- Isto é um santuário... do 7º reino. Eu o utilizo às vezes, quando quero um pouco de paz. Ele não poderá entrar aqui.
Jane olhou pela janela. Aquele santuário estava encravado num rochedo alto e o mar batia furiosamente lá embaixo.
- Seria difícil qualquer um vir aqui.
- Está com medo?
Jane virou-se para ele.
- Não.
- Oh.... esqueci como você é. A brava mortal.
Jane enrugou a testa.
- Sentiu minha falta?
Recriminou-se logo depois de ter soltado a pérola. Nunca se deve deixar que o cara pense que é importante...seja ele homem ou deus.
- Eu voltei por você, Jane Foster.
Ele ficou onde estava, olhando para ela.
- Você está diferente, Thor.
- Muitas coisas aconteceram em Asgaard.
- Eu senti a sua falta. - Jane não aguentou e correu para ele, enlaçou-o pelo pescoço e o beijou. thor a abraçou e devolveu o beijo, apaixonadamente.
Jane abandonou-se nos braços dele.
- Achei que não voltaria.
- Eu voltaria por esses beijos.
A moça sorriu.
- Preciso ir. Tudo o que precisar, água, comida.... tenho mantimentos aqui... - ele apontou para uma despensa.
- Tome cuidado.
Ele olhou longamente para o rosto dela e a beijou de leve, provocante.
E mergulhou para outra dimensão.
Jane vasculhou os bolsos, encontrou um celular também pifado e um chocolate. Olhou pela janela novamente. Saiu da sala onde estava e encontrou vários outros cômodos e serviçais silenciosos que respondiam ao seu cumprimento com uma reverência.
Chegou ao salão principal, feito de uma espécie de madeira dourada com inscrições rúnicas. Uma runa estava em destaque. Era a Inguz, Lacruz? Não... Ansuz. Sorriu porque depois que conheceu Thor, começou a pesquisar a história viking, mas não dava tempo de se aprofundar muito nisso com as teorias de portais preenchendo sua cabeça. A runa marcava vários pontos do salão. Era Ansuz. Runa do Mensageiro. Era uma runa de comunicação, mas não havia mais nada.... será que aquele era algum templo destinado ao deus Thor? Deveria ter um martelo em algum lugar.
Ansuz também era a runa do deus Loki.
Jane estremeceu a essa lembrança.
O irmão dele tinha grandes poderes. Era um feiticeiro. Ela bem poderia estar metida numa grande enrascada neste minuto. E tudo o que lhe sobrara fora um chocolate e um celular quebrado e ela nem era o McGiver. Fora isso, os serviçais mudos interdimensionais... Jane começou a ficar nervosa e passou a correr pelas inúmeras salas, buscando respostas.

Continua... Fanfic by Ana Laufeyson

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