Laguz
(atenção, os
personagens abaixo não me pertencem! São da cabecinha do Stan Lee e dos
roteiristas dos filmes Thor e Avengers. Não quero ganhar grana com isso. Sta
Lee, eu te amo. Não tanto quanto amo Tom Hiddleston, lógico, mas não vou roubar
seus personagens, ok? Não me processe!)
- Loki.... você
desonrou a minha Casa. Traiu a mim, que sempre o amei. Traiu seu irmão. Quase
levou seu povo à destruição! Poderia ter provocado o Ragnarok. - Odin baixou
os olhos e apenas murmurou a palavra final. O Fim dos Tempos. O fim de Asgaard
provocaria um colapso no tempo e no espaço, torcendo as dimensões de realidade,
esmagando os Universos e condenando toda a Criação ao retorno ao
Caos.
O velho rei olhou para
o filho com fúria, que logo se transformou em tristeza. Os grandes olhos azuis
de Loki estavam escancarados, cheios de medo. Se ele compreendera finalmente o
erro, ou se apenas temia a punição que lhe seria imputada, isso nem Odin
podia dizer. Ninguém conseguia dizer o que se passava pela mente obscura do
jovem príncipe. Uma mordaça feita de metais especiais era mantida bem presa ao
redor de seu rosto, impedindo que ele proferisse qualquer palavra. A língua de
Loki era feita de mel e veneno, podia envolver a mente em feitiços
sofisticados, seduzindo a vítima rapidamente, persuadindo deuses e homens que
eram colocados sob seu comando. E podia queimar com a agressividade do vento do
inverno.
- Eu bani Thor
equivocadamente, por sua causa. E foi grande a mágoa que causei em meu leal
filho. - Odin olhou para Thor, que tentava não fitar Loki. - O que farei com
você, Loki? Diga-me, filho.... o que posso fazer para que você compreenda o Mal
que causou?
A mordaça abriu-se de chofre
e Loki gemeu de dor. Hesitou alguns segundos, erguendo os olhos para a mãe
adotiva e para Thor. Os olhos dos dois guerreiros se encontraram. Não havia
raiva nos olhos do outro Príncipe. Havia uma certa ansiedade e aquele brilho que
Loki sempre se referiu como o brilho tolo nos olhos do irmão, que voltava-se
sonhador para as estrelas, com um otimismo e esperança sempre renovados.
-FALA, O QUE ESPERA DE MIM
DEPOIS DE TUDO O QUE FEZ?
O rapaz estremeceu. Odin não
teria clemência. Mas Loki era também um príncipe. Não era um covarde, e embora
trêmulo diante da Justiça de Odin, ele se recompôs e encarou o pai.
- O Sono do Esquecimento. A
Morte. O que mais posso esperar? Mereço outra coisa que isso, Grande Odin? Pois
já não tenho utilidade para Vossa Majestade.
- Loki.... - Thor abanou a
cabeça, só conseguia se lembrar do amigo que o acompanhou por toda a infância e
não do homem contra o qual lutara.
- Não! - Freya levantou-se do
trono. Amava Loki apesar de tudo o que fizera, porque o criara como seu filho.-
Loki é um Asgaardiano e não pode ser condenado ao Sono Eterno...mesmo tendo
cometido tantos atos reprováveis. Ele também realizou grandes façanhas e salvou
nossa gente antes, lutou ao lado de Thor e ao seu lado, meu marido Odin! Ele é
um de nós!
- Não! Não sou! É este o
problema, minha rainha! Eu não sou um de vocês e, no entanto, a maioria dos
erros que cometi foi porque acreditei que era um de vocês... mas o que eu sou, o
que eu sou de fato? Eu sou o Inimigo... eu sou o Erro que deve ser
corrigido.
- Basta. Loki, estou farto
disto. Você será banido para a Ilha do Silêncio e lá permanecerá, por todos os
séculos, até o Fim dos Tempos... em total isolamento, para que a sua Maldade
também seja esquecida.
- Não, isso não! - Loki
empalideceu. Sofrer o Sono do Esquecimento era uma coisa. Ele dormiria até o
Ragnarok, para acordar e lutar na última batalha dos deuses. Na Ilha do
Esquecimento ele passaria cada dia desperto, num mundo sombrio, sem sons, sem
objetivos, sem esperança, até enlouquecer. Único morador de uma dimensão entre
dimensões. Como um som ecoando numa caverna, ele lentamente perderia suas forças
e deixaria de existir como um ser vivo e, contudo, não morreria.
- Pai! Eu imploro, não faça
isso! Não faça isso comigo!
- Esta é minha decisão. Seja
feita a minha vontade. - Odin levantou-se do trono e deixou o grande salão
dourado, seguido pelos seus pares.
Loki continha a custo o
choro. Estava aterrorizado. A mordaça voltou a lhe ser imposta e ele tentou
tirá-la. A guarda pessoal de Odin o imobilizou, colocando-o de joelhos. Ele
ergueu a cabeça e viu Freya e Thor olhando para ele. O irmão não fizera nada
para salvá-lo de um destino pior que a Morte. Sua raiva voltou e inutilmente ele
gritou, tendo seus urros abafados pela mordaça.
Thor retirou-se.
Foi procurar o pai e
ajoelhou-se diante dele.
- Pai, eu lutei contra Loki
e o subjuguei. Eu o venci! Ele foi trazido como meu prisioneiro! Entregue-o para
mim e eu o levarei a nossos aliados terráqueos. Eles têm tecnologia para
detê-lo.... eu vi! Ele poderá ficar lá sob vigilância.... ainda existe o Bem
dentro dele! Ele é meu irmão!
- Ele bem o disse, Thor. Ele
não é um de nós. O meu sangue não corre nas veias dele. Somente o ódio e a
vilania correm nas veias de Loki. Para qualquer dos mundos que o mandarmos ele
se livrará das correntes e se transformará numa fonte de morte e horror. Não
matarei Loki, mas não permitirei que ele viva para levar este ou outros
universos à ruína. Você tem um coração bom, meu filho. Mas um rei não pode ser
bom. Ele tem de ser justo.
- Então me deixe levá-lo
para a Ilha do Silêncio. Para confortá-lo apenas.
- Não.
- Pai. Talvez eu nunca mais
o veja e eu quero lhe dizer algumas coisas. Quero que ele se lembre dos momentos
felizes que tivemos, como irmãos. Talvez isso possa salvá-lo.
- Loki não pode ser salvo,
Thor.
- Mas eu quero estar ao lado
dele nesta hora. Talvez eu não tenha sido o irmão que devia ser.Talvez eu tenha
falhado também.
Odin suspirou.
- Acompanhe-o. Mas cuidado,
meu filho. Loki não é mais o seu amigo de infância.
Pouco tempo depois, Loki foi
levado para a Bifrost. Seus passos eram hesitantes e tentou resistir e fugir,
mas Heimdall era seu vigia. Por fim, Thor posicionou-se ao lado dele e pousou a
mão em seu ombro. Loki não esboçou qualquer emoção. Ambos desapareceram num
relâmpago.
Enquanto isso, na unidade de
pesquisas científicas Stark, no Novo México...
- Dra. Foster, veja as
leituras!
Jane sorriu abertamente. Ela
adorava quando seus planos davam certo.
- Invertendo a polaridade do
dispositivo de entrada conseguimos criar um buraco de minhoca temporário que
dura bem mais tempo que os outros!
- Ative a câmera!
O ajudante digitou códigos
no computador e uma pequena cápsula foi ejetada de um satélite movido por
controle remoto para dentro do buraco de minhoca. O caminho descrito por ele
parecia cenário de um show psicodélico.
- Parece a Millenium Falcon
saltando pelo hiperespaço! - brincou o ajudante. Jane suspirou, sentia falta da lacônica mas coerente Darcy.
- Ela está sendo puxada pela
força gravitacional do que quer que esteja do outro lado do buraco...
- Está diminuindo.... meu
Deus, ela está chegando em algum lugar!
A imagem foi escurecendo e
então explodiu num clarão uniforme.
- Droga, deve estar com
defeito!
- Não... não está. Está
perfeitamente operacional, doutora.
- Mas onde ela está? O que
está focalizando?
- Olhe.... tem qualquer
coisa ali na frente....está se aproximando.....
- Bob.... amplie
isso.....
A forma pulou sobre a câmera
e tudo ficou escuro.
- Volte a gravação. Eu quero
ver o que era aquilo.
Bob digitou algumas teclas.
A figura foi se tornando mais nítida. Jane Foster sentou-se para não desmaiar:
era uma forma humanóide.
- Calma.... calma.... Bob,
quais as chances de essa porcaria de câmera ter caído num vórtice temporal e
termos filmado o meu tio Clancy no quintal da casa dele num dia especialmente
ensolarado?
- Doutora... o seu tio teria
que estasr em algum ponto que, Jesus, está no meio de algumas... dimensões....
eu tenho coordenadas. Veja! Quer que eu chame alguém da Stark? Eles podem
checar!
- Não! Não, não, não. Cada
vez que eu notifico algo para a Stark, a Shield aparece aqui e redecora o meu
laboratório. Desta vez eu quero saber direito o que é que eu estou vendo e só
depois é que vamos fazer um relatório. Tudo bem prá você?
- Você manda, chefa. Além
disso.... eu não quero levar nenhuma martelada do seu namorado....
O ruim de
trabalhar em repartições do governo era que sua vida íntima era o principal
assunto na pauta. Ela até queria que Thor fosse seu namorado, mas não trocaram
mais que um beijo e então ele foi salvar o mundo e nunca mais voltou. Sabia dele
pelos jornais.
Talvez ela pudesse fazer uma
bomba e ameaçar explodir buracos de minhoca. Ela poderia ser mais interessante
para um super-herói como cientista louca. Além do que havia trabalho demais para
ser feito e seus relacionamentos nunca duravam mais que uma semana por causa
disso.
Ser mulher de super herói
deveria ser igual a ser a primeira-dama. Dar entrevistas para revistas, fugir de
vilões, torcer pro cara não ser morto por alienígenas e andróides assassinos....
e sobreviver às piadas sem graça dos colegas. Não dava prá paquerar alguém que
se vestia com um estilista de cosplay e sair ilesa. Com um grande esforço, ela
estava tentando esquecer o Thor e queria pensar que ele estava também tentando
esquecê-la - o que demonstrava um pouco de arrogância da parte dela, por achar
que um deus nórdico teria que se esforçar para esquecer uma terráquea comum
feito ela.
- Bob, dá prá reativar a
câmera?
- Não... ela está ativada,
mas deve estar em algum lugar que impede a definição de imagem.
- Ative o áudio.
- Está ativado. Sem retorno.
Não há som nenhum.
- Quanto tempo temos?
- Uns 15 minutos até a
câmera pifar. Não sabemos até quando o portal fica aberto.
- Manda mais umas duas
câmeras prás mesmas coordenadas.
Duas garrafas de café
depois, mais quatro câmeras foram enviadas e uma delas conseguiu o registro de
novas imagens.
- A forma humanóide está
definida novamente!!!
- Dá zoom!
- Ele está se
aproximando.
- Melhore a imagem.
- Está se definindo.
- Meu Deus...
Era Thor, bastante abatido e
ferido. Ele se aproximou da Câmera e moveu os lábios: Salve-me.
- O portal esté se
fechando.
- Não! Não! Mantenha isso
aberto!
- Não tem como, doutora! Não
controlamos! O fato de conseguirmos encontrar esse buraco de minhoca já foii um
milagre!
- Não foi milagre! Thor está
em perigo!
Jane parecia tomada e
empurrou Bob para longe e passou a mexer ela mesma no computador, digitando
rapidamente, praguejando, refazendo cálculos.
- Está fechando, Dra!
-Cala a boca!
- Que está fazendo?
- Cala a boca!
- Ei... você não me mostrou
isso! Você pode criar um impulso para aspirar coisas nesses buracos?
- Eu devia matar você agora,
Bob, por saber disso... mas acho que vou presa por matar um espião da shield,
não é?
- Desde quando sabia
que eu era da shield?
- Você é Nerd demais!
O computador pifou e todo o sistema pipocou em curtos-circuitos. O
notebook de Jane começou a apitar e mostrou um mapa com um ponto luminoso
cruzando cada vez mais rápido as marcações de quadrantes do espaço. Jane agarrou
o notebook e deixou um laboratório explodindo para ele cuidar. Certamente ele se
divertiria tentando encontrar anotações secretas.
Jane se jogou dentro da caminhonete. A noite estava gelada, mas ela
nem se preocupou em vestir o casaco.
Assim que caiu na estrada, os helicópteros começaram a segui-la. Ela
também estava pouco se lixando para eles. Ela e só ela podia pegar aquela bola
luminosa que percorria a tela do notebook.
- Me dá um pouquinho mais de tempo, Thor! Por que sempre nos
encontramos assim?
Ele chegou antes dela ao solo arenoso do deserto.
Os helicópteros estavam logo acima, e inundaram de luz o chão. Havia
uma forma de vida ali, enrolada numa capa vermelha.
- Thor? Thor? - Jane pegou-o nos braços, limpou o rosto sujo de
terra.
Ele abriu os olhos e aspirou todo ar, como se tivessenascido naquele
momento. E gritou, gritou alto, com dor, com raiva. Jane Foster assustou-se, mas
não o soltou.
Só então Thor olhou prá ela e abriu o sorriso de puro
deleite.
- Salvou minha vida, Jane Foster.
Ele tentou proteger os olhos das luzes dos helicópteros.
- Tenho que levar você a um lugar seguro. Loki está
aqui.
- A Shield pode ajudar? Os helicópteros são deles.
- Temo que só atrapalhem... Quero tentar algo. Não sei se vai
funcionar, mas se funcionar, você precisa fazer exatamente o que eu lhe
mandar.
Thor levantou-se e girou o martelo, fazendo aparecer uma fina linha
brilhante diante deles.
- Estou rasgando o tecido da realidade. Fique bem junto de mim. Nós
vamos pular para dentro dessa passagem. Respire fundo e eu protegerei você. Só
abra os olhos quando eu mandar, ok?
O notebook pifou assim que o portal de Thor abriu e o deus do trovão
puxou a moça para junto dele, através da passagem, que se fechou logo
depois.
- Pode abrir os olhos.
Jane os abriu. Estava numa sala ricamente decorada.
- Uau! Você tem um esconderijo bem maneiro.
- Maneiro?
- É... hã.... é encantador.
- Isto é um santuário... do 7º reino. Eu o utilizo às vezes, quando
quero um pouco de paz. Ele não poderá entrar aqui.
Jane olhou pela janela. Aquele santuário estava encravado num rochedo
alto e o mar batia furiosamente lá embaixo.
- Seria difícil qualquer um vir aqui.
- Está com medo?
Jane virou-se para ele.
- Não.
- Oh.... esqueci como você é. A brava mortal.
Jane enrugou a testa.
- Sentiu minha falta?
Recriminou-se logo depois de ter soltado a pérola. Nunca se deve
deixar que o cara pense que é importante...seja ele homem ou deus.
- Eu voltei por você, Jane Foster.
Ele ficou onde estava, olhando para ela.
- Você está diferente, Thor.
- Muitas coisas aconteceram em Asgaard.
- Eu senti a sua falta. - Jane não aguentou e correu para ele,
enlaçou-o pelo pescoço e o beijou. thor a abraçou e devolveu o beijo,
apaixonadamente.
Jane abandonou-se nos braços dele.
- Achei que não voltaria.
- Eu voltaria por esses beijos.
A moça sorriu.
- Preciso ir. Tudo o que precisar, água, comida.... tenho mantimentos
aqui... - ele apontou para uma despensa.
- Tome cuidado.
Ele olhou longamente para o rosto dela e a beijou de leve,
provocante.
E mergulhou para outra dimensão.
Jane vasculhou os bolsos, encontrou um celular também pifado e um
chocolate. Olhou pela janela novamente. Saiu da sala onde estava e encontrou
vários outros cômodos e serviçais silenciosos que respondiam ao seu cumprimento
com uma reverência.
Chegou ao salão principal, feito de uma espécie de madeira dourada
com inscrições rúnicas. Uma runa estava em destaque. Era a Inguz, Lacruz? Não...
Ansuz. Sorriu porque depois que conheceu Thor, começou a pesquisar a história
viking, mas não dava tempo de se aprofundar muito nisso com as teorias de
portais preenchendo sua cabeça. A runa marcava vários pontos do salão. Era
Ansuz. Runa do Mensageiro. Era uma runa de comunicação, mas não havia mais
nada.... será que aquele era algum templo destinado ao deus Thor? Deveria ter um
martelo em algum lugar.
Ansuz também era a runa do deus Loki.
Jane estremeceu a essa lembrança.
O irmão dele tinha grandes poderes.
Era um feiticeiro. Ela bem poderia estar metida numa grande enrascada neste
minuto. E tudo o que lhe sobrara fora um chocolate e um celular quebrado e ela
nem era o McGiver. Fora isso, os serviçais mudos interdimensionais... Jane
começou a ficar nervosa e passou a correr pelas inúmeras salas, buscando
respostas.
Continua...
Fanfic by Ana Laufeyson
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