...Era uma vez...

Loki, deus do fogo, rei da mentira, mestre da ilusão, benção e maldição dos deuses do panteão nórdico, que podia ajudar ou desgraçar a vida de mortais e imortais por mero capricho.
Um belo dia, o santo Stan Lee transformou as lendas e mitos escandinavos em uma fantástica história em quadrinhos e esses personagens incríveis foram parar nas telas com "Thor".
Porém, Loki, nós sabemos, não é só um personagem... Loki resolveu invadir a Terra e conquistá-la só com o charme. Gostou tanto do desafio que acabou ficando por aqui, aprontando das suas... se fazendo passar por um ator Shakespeareano talentoso e lindo que atende pelo nome de Tom Hiddleston. Este blog reúne algumas lendas e fanfiction relativa ao personagem. Estes personagens não me pertencem e não pretendo ganhar dinheiro com essas histórias. Tudo isso é só diversão. Os personagens pertencem à Marvel, do meu queridão Stan Lee. E Tom Hiddleston pertence a ele mesmo... porque he does what he wants.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Laguz 7 - Classificação 14 anos

Estes personagens não me pertencem e isso me deixa depressiva. Mas me vingarei criando este universo paralelo e fazendo o que quiser com eles, ouviu, Stan Lee? Obrigada por Kenneth Branagh existir e ter chamado Chris Helmsworth, Tom Hiddleston e Natalie Portman para trabalharem em Thor.



- Estou me sentindo zonza. – Jane respirou fundo. Não devia nem existir uma atmosfera naquele mundo onírico. Não sabia ao certo se toda aquela viagem era um estranho fenômeno envolvendo interdimensionalidade e expansão da mente, ou se ela precisava procurar urgente um psiquiatra. Um daqueles com bons contatos na indústria farmacêutica.

- Não se preocupe. Você não está habituada a isso e já faz tempo que você está longe do seu corpo. Eu vou passar minha energia através de você, para o seu físico. Vai sentir-se melhor...

Loki  sentou-se diante dela, de pernas cruzadas, pegou as mãos dela e apertou-as gentilmente. Estavam frias e Jane parecia prestes a desmaiar.

- Não está na hora de você acordar. Ainda me deve uma história, Jane.

A energia azulada e morna que se formou nas palmas das mãos de Loki começou a percorrer o corpo dela, renovando suas forças. A moça ainda se sentia levemente sonolenta e inclinou-se para frente. De modo suave  ela começou a erguer o rosto.

- Eu - Eu era a esquisitona da escola... Uma CDF de marca maior.

- CDF? Você fazia parte de algo como a Shield? – Loki estreitou os olhos para ela.

- Hã? – Jane piscou. – Oh, não, não... CDF é como nós chamamos aquelas pessoas que estudam demais. Que estão sempre metidas em livros e não têm tempo para a vida social.

Jane olhou para baixo, para as suas mãos seguras pelas mãos de Loki. Ele percebeu e acariciou as mãos dela. A moça desvencilhou-se e Loki sorriu ainda mais.

- Meu pai era um físico. Trabalhava para o governo e por causa disso eu ganhei bolsa, sabe....

- Não, não sei. – Loki ficava olhando para ela, muito sério.

- É quando você não precisa pagar para estudar.

- É preciso pagar para estudar? Vocês não têm  sábios que ensinam os mais jovens?

- Há quanto tempo você não vai à Terra?

Loki deu de ombros.

- E o que aconteceu com seu pai?

Loki fez um gesto e o ambiente ao redor deles modificou-se. Tratava-se agora de um luxuoso cômodo com amplas janelas, almofadas e tapetes coloridos, tudo aquecido por uma lareira.

- Era meu quarto de estudos.

- Oh.... bem melhor que o meu. – Jane estremeceu.

Estava mesmo sentada diante do Loki que havia quase devastado o mundo? Devia estar desenvolvendo síndrome de Estocolmo porque estava contando passagens de sua vida para o sujeito que a estava usando para tentar matar Thor!

- Você estava dizendo que seu pai era um físico.

- Viajávamos muito, não tínhamos parada. Minha mãe havia morrido de câncer e ficamos só nós dois. E eu não tinha nenhum amigo. Creio que você sabe como é isso...

- Temos muito em comum, não é? – Loki esticou-se e sentou-se ao lado dela, falando mais baixo enquanto o ruído da lareira tomava todo o local.

“Síndrome de Estocolmo, sem dúvida”, pensou Jane. “Por que não estou entrando em pânico e me jogando contra as paredes para sair daqui?” Havia qualquer coisa na presença do feiticeiro que a impedia de sentir-se mal. Ela não tinha vontade nenhuma de se afastar. Provavelmente ela estava sendo dopada. Algo do tipo.

-Estava no último ano do Colegial e alguns colegas me convidaram para ir a uma festinha e eu pensei... por que não? Eles me convidaram porque eu havia incluído aqueles idiotas num trabalho importante que eu fiz sozinha e ...

- Ah! Talvez fosse interessante ver isso acontecendo!

- Não, Loki!

Novamente o cenário alterou-se e, de repente, Jane se via diante do pai.

- Jane, eu vou precisar de você para checar esses cálculos. Eu tenho certeza de que estou chegando a solução disso tudo... – O pai tinha um olhar um tanto alucinado, de quem estava completamente absorvido pelo trabalho.

- Loki, por favor...

- Loki? O que é Loki, Jane? – Opai olhou para ela perplexo.

Jane piscou. Os olhos estavam cheios de lágrimas. Aquilo à sua frente era só uma ilusão, mas parecia tão vivo. Ela não tinha outra alternativa a não ser fazer o jogo de Loki novamente.

- Pai.... alguns amigos me convidaram para uma festa.

- Justamente hoje? Você podia ter me avisado antes.

- Eu avisei. Eu avisei, mas o senhor nunca me ouve. O Sr. Não ouvia a mamãe. Não ouvia nem o Selvig que era seu melhor amigo.

- Não sei se aprovo isso filha. Preciso de você aqui hoje. É uma experiência importante. – O Dr. Foster ficou sério. – Sabe quanto tempo da minha vida foi gasto nisso? A bolsa para a sua faculdade será resultado deste trabalho!

Jane soluçou e tentou reter o choro. Não conseguia falar e ficou com o rosto vermelho.

- Não posso fazer isso, Loki. Eu já tive essa discussão com meu pai... eu não vou falar aquilo de novo.

- Nem sempre os pais têm razão.

- Eu nunca havia me revoltado daquela forma. Era como se ele fosse o culpado por todo o vazio existente na minha vida. Por todo o cansaço de tentar compensar a falta da minha mãe me atirando nos estudos. Eu senti tanta raiva dele pela distância que existia entre nós....

Loki a abraçou suavemente.

- Eu entendo. Profundamente.

- Ele não respondeu. Eu falei tantas coisas e elevei a voz, gritei com ele... papai não falou nada. Retirou-se. Só isso. “Faça como quiser, então”.  Eu fui à droga da festa! E foi horrível... eu me portei como uma idiota. A certa altura da noite eu fiquei bêbada e todo mundo estava usando drogas porque os pais da patricinha que estava dando a festa estavam viajando. Tomei um comprimido que me deixou chapada metade da noite.  Um idiota me puxou para um canto e eu quase acabo a noite fazendo sexo com esse sujeito que eu nem sabia o nome... – Jane começou a soluçar – O Selvig chegou. Foi me procurar, porque o papai tinha tido um mal estar. Ele o levou ao hospital e depois foi me buscar. E me achou completamente fora de órbita, vomitando num sofá.... que ótimo. Não ouse fazer aparecer a historinha da minha vida com a sua mágica! – Jane tentou se soltar do abraço de Loki.

- Seu pai morreu?

- Não naquela noite. Selvig não contou nada pro papai. Ele voltou prá casa e não falamos mais nisso. Não falamos mais sobre nada. Ele aumentou a distância entre nós durante um tempo. Depois, acho que me perdoou por ter me “revoltado”. E daí eu fiquei cheia de culpa e decidi seguir seus passos no estudo do universo multidimensional...

- Então era por isso que você rastreava o céu... era por causa de seu pai. – Loki fixou seus olhos azuis na moça, com um sorriso maravilhado. – E você acabou amando as estrelas, não é? Elas são tão misteriosas e poderosas...

Jane sacudiu a cabeça afirmativamente.Era quase impossível não se deixar impressionar por aqueles olhos.

Loki virou-a de frente para ele.

- A cada minuto descubro mais alguma coisa que gosto em você. Se eu pudesse voltar o tempo, eu desceria à Terra no lugar do meu irmão...

Jane balançou a cabeça, tentando arranjar forças para sair do torpor que a invadia olhando para o rosto do feiticeiro.

- Pare com isso, Loki. Eu e Thor tivemos nossos momentos porque vivemos uma experiência juntos... como você pode sentir algo por mim? Só nos encontramos agora, neste seu sonho psicodélico! Você e Thor são criaturas antigas... eu devo ser como uma criança aos seus olhos. Sou alguém comum! Por que se interessaria por mim?

- Por que Thor se interessou? Você não sabe, Jane, mas tenho observado você desde o momento que encontrou meu irmão. A princípio... por curiosidade. Você é uma mulher cheia de encantos, e talvez seja a única mulher em todos os mundos que pode me entender, que pode entender que eu posso ser algo diferente. Vocês humanos, tão frágeis. É tão patético o modo como se lançam desesperados à vida. Uma existência tão curta. Poderia gostar de mim, como gosta do meu irmão?

- Você não é o Thor.

Loki segurou o rosto dela com as mãos e a prendeu com a força dos seus puros olhos azuis.

- Nem eu sei quem eu sou. Esperava que você me dissesse... – com uma carícia ele limpou as lágrimas dos olhos dela.

- Eu sou só uma humana. Simples mortal. Eu não tenho respostas para você.

- Você é a resposta, Jane.

A doutora não tinha certeza de ter compreendido o que ele queria dizer com aquilo.

- Loki, não vai poder me manter prá sempre aqui neste sonho. Por favor, me liberte!

O asgaardiano sorriu de um modo franco para a moça.

- Eu poderia mantê-la aqui para sempre. O seu corpo físico morreria, mas a sua essência seria minha, eternamente.

Jane sentiu muito medo de que ele estivesse falando sério.

- Contudo, fazer tamanha beleza cessar sua existência no mundo é um pecado que nem mesmo  eu não gostaria de cometer. Você me fez entender que Thor provava seu amor obedecendo a você!  Eu poderia fazer isso também... E mais: mandarei você de volta, Jane! E lhe darei as chaves do conhecimento que você busca... mas tem que acreditar que faço isso porque eu a quero com o desespero daqueles que são amaldiçoados e afastados de qualquer tipo de salvação. Vou mandá-la de volta, Jane. Você está muito fraca e prometi que nada lhe aconteceria...

- Vai mesmo me enviar de volta? – Jane não sabia ao certo o que esperar dele.

Loki colocou suas mãos sobre as têmporas de Jane, que estremeceu. Ele poderia fazer qualquer coisa agora: disparar raios para dentro do seu cérebro ou transformá-la numa lhama. Ou cumprir a promessa. Jane lembrou-se dos cenários tão belos que ele havia feito para ela. Talvez Loki tivesse algo de bom dentro dele, afinal.

- Seria o que meu irmão faria, não é? – Loki sorriu terrivelmente - Mas eu não sou Thor. É bom ter esperança, não é, Jane? Como é? Que sentimento é a esperança? Eu não consegui captá-lo .... foi muito rápido.

Jane começou a respirar com dificuldade. Aquele homem  ia levá-la a loucura. Ele só havia dito que ia soltá-la para estudar sua reação.

- Por que me tortura assim? Eu não lhe fiz nada.

- Fez, querida Jane. Você fez. Quando Thor me trouxe à Ilha do Silêncio, eu lhe ofereci o conhecimento de um atalho para seu mundo. Foi assim que ele conseguiu resgatar o seu corpo, depois que eu a capturei. Mas em troca, eu pedi que ele compartilhasse comigo as memórias que tinha de você. Não apenas a sua imagem, mas o que você provocava nele. Eu já possuía um plano. Este plano. Queria saber como você o afetava. Mas então, a consciência das emoções que você provocava em Thor me fez ansiar por experimentá-las eu mesmo. Apaixonei-me por você enquanto esperava usá-la apenas como ferramenta...  e a paixão é a coisa mais assustadora que alguém pode experimentar, eu posso dizer com certeza.

- E agora vai me reter aqui, prá sempre?

- Eu disse o que poderia fazer.  E disse que não sou Thor. Eu sou melhor que ele. Seu pai foi um homem honrado, Jane. Eu o vi no mundo dos espíritos... ele a ama e se orgulha de você.

Jane sorriu, num misto de acesso nervoso e profunda tristeza.

- Como posso saber se você está dizendo a verdade?

- Não pode.

Loki a beijou na testa, longa e amorosamente e depois baixou o rosto em direção ao lábios da moça. Subitamente parou.

- Há uma presença na Ilha. Mas não é Thor.

Loki ficou lívido, como se tivesse sido atingido por uma força terrível.

- Precisa ir! Há gigantes aqui. E procuram por mim! Há uma Norne junto com eles.

- Norne?

- Karnilla!

- Quem é Karnilla? Loki, o que está havendo?

- Eu não contava com isso. – O feiticeiro parecia legitimamente desesperado. E se algo assustava aquele homem, então Jane temia pelo que poderia lhes acontecer.

- Eu prometi que nada lhe aconteceria. Você vê? Estou cumprindo minha palavra. Adeus, Jane... leve-me em seu coração! – Loki pousou seus dedos sobre a testa da moça, como se a abençoasse.  

- Loki? O que eu faço? O que está acontecendo.

A última coisa que ficou gravada em sua mente foi a expressão fria de Loki, com seus grandes olhos azuis a devorar sua consciência.

A cientista sentiu como se um raio cruzasse sua mente. A dor foi tão violenta que ela desmaiou.

Asgaard



Jane acordou com um grito. Os curadores a cercaram e quase foram atirados para o chão por um desesperado Thor.

- Jane? Você está bem?

-Vão matar Loki! – Ela teve que respirar profundamente várias vezes. O coração batia acelerado. E ela sentia a necessidade de voltar para o sonho intenso que tivera. Assustou-se ao ver Thor ao seu lado e ao perceber que não estava na Terra. Voltou-se então para a única pessoa que poderia ajudá-la.-  Thor, precisa ir salvá-lo!!

- Quem quer matar Loki? – Freya aproximou-se, preocupada.

- Não sei.... não sei... ele me disse... Karnilla.... e os gigantes.

- Thor... eles vão sacrificá-lo. – Freya olhou para o filho com grande preocupação.

- Seria merecido, não é?

- Thor, eu sei de tudo o que Loki fez, mas ele me salvou. Ele me mandou de volta! Ele poderia ter me retido em sua mente! Por favor. Loki ainda é seu irmão.

- Isto é um absurdo! Por que devemos salvá-lo? O que quer que lhe aconteça será apenas a colheita do que ele plantou. Deixe-o para os gigantes e para as Nornes. – Vociferou Sif, indignada com o fato de a mortal querer que Thor se arriscasse para salvar o maldoso Loki.

- Vocês são deuses. Deveriam ter mais compaixão!

- Por que está tão desesperada por Loki? O que ele fez a você? – Thor olhou com suspeita para a amada.

Jane calou-se. Nem ela entendia aquele desespero que sentia.

- A mortal tem razão. – Odin chamou Thor – Há uma razão para eu não ter condenado seu irmão a morte. Se os gigantes o sacrificarem no templo como contava a profecia daquele povo, eles revivirão Ymir, o primitivo monstro. Ele destruirá os reinos e o tempo. Precisamos detê-los.

Antes que as luzes douradas de Asgaard se apagassem à noite, Thor, Jane, seus três amigos e Lady Sif estavam a caminho da Ilha do Silêncio.


Continua...                                  By ana Laufeyson





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